Resumo o que é o poder

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  • Publicado : 6 de novembro de 2012
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A recusa de um mundo dos valores assim se vincula, para Hobbes, ao postulado da igualdade: “É uma lei de natureza que todo homem reconheça os outros como seus iguais”. A natureza de Hobbes é a do mecanicismo: não é mais a physis teleológica de Aristóteles. E este ponto é relevante para a sua concepção do político.
a) A idéia de hierarquia natural supunha a da sociabilidade natural; ora, nãoexiste sociabilidade
natural. Não é este o único tipo de vínculo que possa convir a indivíduos iguais? Já se procurou ver, nesta representação do social, um efeito da crescente importância adquirida pelas relações mercantis, cujo pressuposto é a igualdade do comprador e do vendedor. Seria excessivo, sem dúvida, explicar apenas por isso a antropologia de Hobbes. Hegel considerará sofística uma talformulação do problema político, que começa postulando indivíduos preexistentes a toda Cidade, e que só pode compreender a comunidade como o que ultrapassa uma dispersão original de átomos pré-sociais. b) No princípio, portanto, existem apenas indivíduos em luta (latente, pelo menos) que, num segundo tempo, confiarão ao Estado o cuidado de conservar-lhes a vida, melhor do que eles próprios seriamcapazes. Se assim for, como observa Leo Strauss em seu Natural Right and History, a necessitas do Estado será deduzida, em última instância, de um direito do indivíduo: o de conservar a própria vida.
Pode-se concluir, com o autor, que Hobbes foi o verdadeiro fundador do “liberalismo”
político? Pensamos, embora sem poder demonstrá-lo aqui, que essa tese é extremada. O que é
inegável, porém, é queexiste uma ligação entre o advento do indivíduo isolado, enquanto peça
essencial da construção do político, e a promoção de um poder único como condição sine qua non da
Cidade. Estão ligados, também, o reconhecimento dos direitos do homem e a ascensão do autoritarismo.

Talvez compreendamos melhor, agora, em que medida a teoria da Soberania implicava uma subversão do pensamento político.Citando, ainda, Leo Strauss: “Para Hobbes, o erro fundamental da filosofia política tradicional foi haver postulado que o homem é um animal político e social...Sugerem, pois, que entremos numa união em que cada qual abdicará dos direitos “que não poderiam conservar, sem perderem a paz”. “Enquanto nada garante que os homens observem a lei da Natureza em favor dos outros, eles permanecem em estado deguerra” (Elements of Law, I, 19).
Quando vamos nos deitar, fechamos cuidadosamente a porta do quarto, de medo dos ladrões: afinal, não temos mais medo...

Como? Para justificar a opressão do poder estatal, dirão vocês, será preciso ter uma idéia
assim triste da natureza humana? Desta censura, Hobbes não foi poupado: para apresentar como
uma boa nova o nascimento do Leviatã, ele devia começarconcedendo ao homem um “direito
natural”, que nada mais era que a explicitação da força. á no estábulo? Lendo Hobbes, Malebranche indigna-se: “... Como escreve Kant: “por melhores e mais apegados ao direito que seja possível imaginar os homens”, ainda assim a saída do estado de natureza só deverá ser “a união numa comum submissão a uma coerção legal, externa”. Em outras palavras: o modelohobbesiano deveria ser mantido, independentemente da antropologia de Hobbes. “Que procede da sua própria vontade legisladora”. O advento da razão prática parece, assim, inverter os dados do problema político: Hobbes tinha a respeito do homem uma idéia materialista, mecanicista, etc...; a restituição ao homem da sua essência de serracional mudará a fisionomia da Cidade...Trata-se de obter um equilíbrio dosdireitos de todos em meio ao antagonismo, que continua sendo a trama do social. Assim não se elimina o antagonismo: os homens continuam sendo, antes de mais nada, concorrentes; mas vêem-se dissuadidos de passar do jogo à guerra, da competição à fraude. Cada qual está ciente de que, por princípio, a agressividade dos demais encontra-se limitada.
Kant pode indignar-se com o “despotismo” de...
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