Resumo: a tendencia anti-social (winnicot)

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  • Publicado : 24 de abril de 2012
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Neste capítulo de sua obra, D. Winnicott apresenta seu tema de estudo, a tendência anti-social, diferenciando-a da defesa anti-social organizada (cujo estudo envolve ganhos secundários e reações sociais que dificultam a análise completa), pois pode ser estudada conforme aparece nas crianças.
Utiliza, como primeiro caso clínico, o de um menino, delinqüente, ou seja, já com a defesa anti-socialorganizada, cujas ações levaram à clínica de Winnicott interromper seu atendimento pelo bem dos demais pacientes. Embora desagradado com a interrupção, o autor cita que atualmente (na época da escrita do texto) o paciente conta com 35 anos, mas não desejou dar continuidade à análise por receio de se envolver com um potencial psicopata. É dito que o tratamento deveria ter sido a internação, e entãoacompanhada de psicanálise, e não esta sozinha, pois assim viu diversos analistas fracassarem.
Em sua segunda exposição, desta vez de um caso de tendência anti-social, cuja mãe da criança procurou Winnicott para aconselhamento, sem que fosse possível este analisar a criança diretamente. A criança roubava compulsivamente, em lojas e em casa, e Winnicott inferiu ser o roubo, uma reclamação ao amordos pais, a retirada do ambiente de algo que a criança sentia ser tirada do mundo interno dele. A mãe, por carta, relatou que a criança concordou com a análise, e esta, diante do choque provocado ao saber que seu filho não se sentia amado, passou a dar mais atenção e demonstrações de amor ao filho. Com o auxílio da professora também ciente da situação, ela relata que não ocorreram mais roubos. Estecaso foi usado para ilustrar como a tendência anti-social pode ser tratada facilmente se contar com o ambiente cuidadoso, o autor também ressalta que ao ajudar os pais a ajudarem os filhos, também eles são ajudados quanto às próprias dificuldades.
A tendência anti-social não é um diagnóstico, de modo que não é uma patologia, e que pode ser encontrada tanto em indivíduos normais quanto emneuróticos ou psicóticos, e em todas as idades. Winnicott ilustra o provável destino de uma criança que, ao ser privada de algum aspecto essencial da vida em família, e devido à ordem social, poderá se tornar um psicopata.
Então, explica-nos que a tendência anti-social é uma manifestação da criança que obriga o ambiente (mãe, pai, cuidador, etc) a tornar sua atenção para ela. Neste sentido, o terapeutadeverá atuar como deveria o ambiente: com compreensão, manejo e tolerância. Uma criança de-privada, não tem esperanças, mas, não é anti-social o tempo todo, e em seus momentos de esperança manifesta esta tendência, contudo sofre uma resposta social extremamente negativa. Compreender que tais comportamentos são manifestações de esperança é crucial para que o tratamento seja eficaz, sendo este, omanejo tolerante e correspondente ao momento de esperança.
Definindo a de-privação como a retirada de algo de caráter positivo para a criança, durante um período maior do que seria possível manter viva a memória da experiência, sabemos que a de-privação está em relação direta com a tendência anti-social. Citando, em nota, Melanie Klein, faz a relação entre a perda da esperança com a morte do objetobom interno, ressaltando que a morte pode se dar do possível contato deste objeto também com “objetos maus”, instintos destrutivos, ou pela incapacidade de manter viva uma memória, o que se relaciona com a questão da maturidade do ego.
Sobre o roubo, a vertente central da manifestação da tendência anti-social, Winnicott nos diz que a criança que rouba, busca a mãe, sobre a qual ela tem direitos(fenômeno ainda ligado com o senso de onipotência da criança, que entende ter criado a mãe). Já quanto à segunda vertente, a destrutividade, o autor aponta ser possível à uma criança reunir a compulsão libidinal e agressiva, quando na criança não há cisão destes dois instintos: resultando, diante da de-privação, em uma mistura de roubos e agressões, de acordo com a estrutura psíquica da...
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