Resumo - veiga : ensino e avaliação: uma relação intrínseca à organização do trabalho pedagógico

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| Didática | |

Capítulo 8
ENSINO E AVALIAÇÃO: UMA RELAÇÃO INTRÍNSECA À ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO
Ilma Passos Alencastro Veiga

A atual organização do trabalho pedagógico: Implicação para o ensino e avaliação
Entre os vários estudiosos que enfocaram a organização do trabalho pedagógico politicamente, pode-se inicialmente citar Santos (1986, p. 409), para quem: “a lógica docontrole de uma minoria sobre uma maioria é geradora de conflitos em que os professores se opõem a supervisores, diretores, secretários, conselhos, ministérios, enfim assiste-se à luta de todos entre si”.
Sob esta ótica é importante observar que, quanto mais racionalizada for a organização escolar, mais o professor perderá o controle do seu próprio trabalho. A escola incorporou a divisão social dotrabalho, a fragmentação, a desvinculação entre teoria e prática com “feições próprias”.
A lógica que permeia a atual organização do trabalho pedagógico reflete-se na organização da sala de aula. E como resultante dessa concepção de organização do trabalho pedagógico, o conhecimento tem sido concebido como algo pronto e acabado, verdade absoluta externa ao aluno e que deve ser nele inculcada para,depois de memorizada, ser reproduzida, avaliada e utilizada.
Quando se procede a uma análise detalhada das práticas pedagógicas que ocorrem nas salas de aulas, percebe-se que o ensino é mecânico, desprovido de significado, e os conteúdos são transmitidos e memorizados nos moldes de estímulo e resposta, facilmente descartados após as provas. Disto resulta uma prática pedagógica mecanicista eacrítica. O professor “(...) não se reconhece na atividade pedagógica, pois coloca-se à margem da atividade que executa, estabelecendo relações apenas entre as operações que realiza e não entre as pessoas envolvidas” (Veiga 1994, p. 19)
Nesse sentido a avaliação é um poderoso instrumento nas mãos do professor para selecionar, rotular, classificar e controlar. Essa concepção é bem ilustrada no textoa seguir:
Na escola, aprende-se a estar constantemente preparado para ser medido, classificado e rotulado; a aceitar que todas as nossas ações e omissões sejam suscetíveis de serem incorporadas a nosso registro pessoal; a aceitar ser objeto de avaliação e inclusive desejá-lo. (Enguita 1989, p. 203)
É pela prática da avaliação que o processo de ensino se impõe de forma autoritária. A esserespeito Villas Boas (1993, p. 125) afirma:
A prática avaliativa na sala de aula revela não só o poder do professor, mas o controle hierárquico estabelecido pela direção da escola que, por sua vez, o recebe da administração do sistema de ensino. O aluno é o grande massacrado, pois sobre ele se dirigem todas as forças.
Afirmações demonstram que os supervisores e os professores têm consciência dasrelações entre educação e sociedade e que a avaliação está ligada diretamente à forma como a escola organiza o trabalho pedagógico. A julgar pelos relatos de diferentes escolas, em cada um deles subjaz, pelo menos, duas questões polêmicas. O primeiro diz respeito à impossibilidade de haver um trabalho democrático, uma vez que a estrutura organizacional predominante na escola é a da “centralização dopoder que é exercido pelo diretor ou pelo vice-diretor” (1993, p. 3).
A segunda diz respeito à falta de parceria das pessoas que trabalham na escola. Uma das conseqüências sérias desse tipo de relação é o clima de desconfiança e de competição que se instala na escola e que muitas vezes não é compreendido pelos professores. É preciso ficar claro para os educadores, os pais e os que essas relaçõessão o reflexo da divisão social do trabalho, que produz a fragmentação e o parcelamento das atividades ou tarefas e do controle burocrático.
A avaliação torna-se operacional, manifestando-se como mecanismo de classificação, dificilmente contribuindo para o avanço, para o crescimento. O professor cumpre uma exigência burocrática, e o aluno, por sua vez, sofre as conseqüências perversas do...
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