Resumo - paulo freire

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Paulo Reglus Neves Freire nasceu no Recife, em 19 de setembro de 1921 e faleceu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997.
Sua história de vida é marcada por três períodos, caracterizados por desiguais referências de espaço e tempo. As etapas em que se divide a biografia de Paulo Freire são o Tempo de Recife, o Tempo de Exílio e o Tempo de São Paulo.
“Eu gostaria de ser lembrado como alguém queamou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida.”
(Paulo Freire)

Tempo do Recife
O primeiro e mais longo dos três períodos da vida de Paulo Freire, entre 1921 a 1964, teve Recife e Jaboatão como cenários. Anos de infância e adolescência, de formação escolar e consolidação das raízes afetivas e intelectuais de seu pensamento.
Filho de Joaquim Temístocles Freire,capitão da Polícia Militar de Pernambuco e de Edeltrudes Neves Freire, Dona Tudinha, Paulo teve uma irmã, Stela, e dois irmãos, Armando e Temístocles. Sobre amãe Paulo dizia: "Ela era essa coisa eufêmica que se chama prendas domésticas (...). Era uma bordadeira excelente!” (Freire. P. e Guimarães, S., 1982, p. 17). Conforme depoimento de Maria Adozinda Monteiro Costa, educadora e prima de Paulo Freire,que conviveu com a família por vários anos, Dona Tudinha era uma pessoa boníssima, cuja conduta era pautada pela mansidão.
A irmã Stela foi professora primária do Estado. Armando, funcionário da Prefeitura da Cidade do Recife, abandonou os estudos aos 18 anos, não chegou a concluir o curso ginasial. Temístocles entrou para o Exército. Aos dois, Paulo agradece emocionado, em uma de suasentrevistas a Edson Passetti (Passetti, E. 1998, p. 35), pois começaram a trabalhar muito jovens, para ajudar na manutenção da casa e possibilitar que Paulo continuasse estudando.

Guardou da infância lembranças fortes que o acompanharam por toda a vida e que relata em várias de suas obras. “Minha alfabetização”, declarou à Revista Nova Escola, em dezembro de 1994, “não me foi nada enfadonha, porquepartiu de palavras e frases ligadas à minha experiência, escritas com gravetos no chão de terra do quintal”. De modo ainda mais incisivo, escreveu em A importância do Ato de Ler (Freire, P. 1982 p.16): “Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo, não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz.”. Em SobreEducação (Freire, P. e Guimarães, S. 1982 p.14-15): “Você veja como isso me marcou, anos depois. Já homem, eu proponho isso! Ao nível da alfabetização de adultos, por exemplo.”

Na mesma entrevista à Nova Escola (parcialmente transcrita em Paulo Freire, uma biobibliografia, p.30), Paulo fala com ternura de Eunice Vasconcelos, sua primeira professora: “jovenzinha de seus 16, 17 anos (...) ela mefez o primeiro chamamento com relação a uma indiscutível amorosidade que eu tenho hoje, e desde há muito tempo, pelos problemas da linguagem e os da linguagem brasileira, a chamada língua portuguesa do Brasil.”
Difícil para toda a família foi deixar a casa da Estrada do Encanamento, em abril de 1932. Em vários depoimentos e entrevistas, Paulo recorda com amor a casa, o quintal, as duasmangueiras, próximas o bastante para que seu pai armasse uma rede a sua sombra. Lembra que até os sete anos, aproximadamente, o bairro onde havia nascido “era iluminado por lampiões (...) Eu costumava acompanhar, do portão de minha casa, de longe, a figura magra do acendedor de lampiões de minha rua.” (Freire, P. 1982, p.15). Esclarece a Passetti (1992, p. 32): a casa da Estrada do Encanamento, 724,pertencia ao “tio Rodovalho”, comerciante no Rio de Janeiro, que a deixara com a mãe dele, avó de Paulo: “vivíamos todos na casa de minha avó”. “A crise de 1929 afetou o comércio” e o Rodovalho, até então bem sucedido, não encontrou outro caminho senão a concordata, seguindo-se a hipoteca e a perda da casa. Sem recursos para alugar outra casa no Recife, a família foi morar em Jaboatão.
Permaneceria...
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