Resumo esquzofrenia

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  • Publicado : 27 de setembro de 2012
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NUNCA LHE PROMETI UM JARDIM DE ROSAS
Resenha e comentários sobre o livro de Hanna Green
 O romance descreve a vivencia esquizofrenica Déborah. Trata-se de uma estória emocionante, cativante e que contribui muito para a compreensão humana dos estados psicóticos. Os sintomas estão descritos logo no início, e faziam parte da lista: “Delírios de controle, influencia (quando Déborah pensava que suapresença contaminava os demais), vozes alucinatórias, alucinações, etc. Rico (e bem real) na descrição dos delírios e sintomas da doença, e nas características ambientais e familiares que podem contribuir para o aparecimento desses sintomas, o romance mostra também o dia-a-dia de um hospital psiquiátrico. Ilustra o dilema de estar ali sem identidade própria (ora é uma pessoa, ora apenas “louco” –um rótulo), a dificuldade em enfrentar o estigma e a doença e ainda fazer amigos, deixar-se levar por gostar de algo ou de alguém. A paciente fala, também, do quanto lhes custa não receber crédito quando fala, pede ajuda, etc. Muitos pacientes são simplesmente “ignorados” por serem taxados de “loucos”. Percebe-se, também, no transcorrer do romance, que Déborah tem componentes compulsivos. EntendoCompulsões como perturbações do ato voluntário, na medida em que se constituem numa atitude impositiva, quase automática e irresistível. Primeiramente tem-se uma idéia obsessiva, involuntária e absurda, depois, para aliviar a ansiedade produzida por essa idéia, vem o ato compulsivo. Isso se dava quando Deborah passava a queimar-se com as pontas de cigarros, no intuito de diminuir a tensão, eautopunir-se pela ausência de sua terapeuta. Temos ainda os pais e familiares obsessivos que lhe impuseram um superego por demais rígido e punitivo; Uma exagerada carga de agressão que o ego não conseguiu processar, e, igualmente, uma falha da capacidade do ego na função de síntese e discriminação das permanentes contradições que atormentam o obsessivo. Talvez isso pudesse ter sido melhor elaborado setivessem respeitado as condições egóicas de Déborah durante a infância e período da extirpação do tumor em seus genitais (aparelho urinário). Do ponto de vista estrutural, havia um constante conflito intra-sistêmico (o ego submetido ao superego cruel e, ao mesmo tempo, pressionado pelas demandas enérgicas do id).
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A técnica psicanalítica estava brilhantemente aplicada, quando respeitavae deixava surgir os conteúdos inconscientes e reprimidos. Num paralelo perfeito com o que vimos durante o curso de psicologia e psicopatologia, a fala da Dra. Fried quando diz: “- Os sintomas, a doença e os segredos tem muitas razões de ser. As partes e facetas se emaranham e se sustentam umas as outras, fortalecendo-se mutuamente. ... Esses sintomas erguem-se sobre inúmeras necessidades e servema muitos propósitos. Por isso é que extirpá-los causa tanto sofrimento.” Muitas lembranças serviram para que Deborah pudesse perceber a realidade atual e interagir com ela, distanciando-se da fantasia. Foi muito difícil para a paciente reviver as dores que a fizeram afastar-se da realidade, e aprender a conviver com elas, percebendo-lhes o significado subjetivo em sua vida.-------------------------------------------------
Penso que seria muito bom para pacientes e terapeutas que pudesse haver esse espaço terapêutico nas clínicas de internação psiquiátrica. Muitas internações tem sido evitadas hoje em dia, até pelo trabalho de conscientização e reinserção do doente mental na sociedade e na família. Entretanto, o estigma, tão bem retratado pela fala de Déborah ao estar deixando ohospital acompanha os pacientes coibindo as interações sociais satisfatórias. O paciente psiquiátrico ainda tem que se ver, após o enfrentamento e superação dos sintomas com os “valores” da família e da sociedade. É difícil receber crédito, por mais sinceras que sejam suas palavras. O doente psiquiátrico percebe que o olham “através”, como se não existisse como cidadão, ou não tivesse direito a colocar...
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