Resumo do livro vigiar e punir - michel focault

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  • Publicado : 25 de maio de 2011
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O livro de Michel Foucault é uma análise dos mecanismos teóricos e sociais que motivou várias das grandes mudanças que se produziram nos sistemas penais do ocidente durante a era moderna. Dedica-se ao detalhamento da vigilância e da punição, utilizadas em entidades estatais como hospitais, prisões e escolas. Direciona seu foco também para vários documentos históricos franceses, mas as questõessobre as quais se debruça não deixam de ser relevantes para as sociedades contemporâneas. É uma obra que teve grande influência em intelectuais, políticos, ativistas sociais e artistas.
No início do livro, o autor expõe um contraste entre duas formas de punição, o suplício público que era praticado no século XVIII e a programação diária prevista para internos de uma prisão do início do século XIX.Contrastando vividamente as vastas alterações sofridas em menos de um século nos sistemas penais ocidentais. Impulsionando-nos a interrogarmos sobre quais seriam as causas destas transformações tão radicais. Foucault sustenta a ideia de que o suplício era um tipo de espetáculo, que poderia ser denominado “teatro em praça pública”, que trazia consigo vários efeitos e funções, causando determinadoimpacto na sociedade.
O papel do suplício era principalmente refletir a violência do delito cometido sobre o corpo do condenado, fazendo com que servisse de exemplo para a população não cometer o mesmo delito, e também como um ato e vingança do soberano que indireta ou diretamente (no caso de regicídio) era lesado pelo crime, já que a lei era considerada como se fosse uma extensão do corpo dosoberano, tornando assim evidente que sua vingança encarnaria na violação da integridade física do condenado. Porém existiam também os efeitos indesejados que acabavam sendo gerados, como por exemplo, fazer com que a população sentisse “pena” do condenado, que passava por sua sentença, o povo muitas vezes criava tumultos e aglomerações em defesa ao condenado.
Então podemos concluir que a execuçãopública se revelava improdutiva e antieconômica, além disso, era praticada de forma heterogênea, irracional e de certa forma quase casual, por conseguinte seu custo político era elevado, era a antítese dos mais atuais interesses do Estado, ordem e generalização. Mas a passagem para a prisão não foi instantânea, houve uma mutação gradual, mesmo que relativamente veloz.
A prisão precedeu-sehistoricamente por uma forma diferente de espetáculo público. O suplício cedeu lugar a acorrentados condenados a trabalhos forçados. Tornando a punição mais “gentil”, não por motivos humanitários. Os reformistas ficaram insatisfeitos com a natureza imprevisível e iniquamente distribuída da violência do soberano sobre o corpo do condenado. Uma maior racionalização de todo este “processo produtivo” eradesejada pelos reformistas, também com relação ao princípio que o poder do Estado deva ser uma forma de poder público. Para o autor, tudo isso concernia mais a paixões dos reformistas do que aos argumentos humanitários.
Além desse movimento em direção à punição generalizada, teriam sido criados milhares de “miniteatros” de punição nos quais os corpos dos condenados teriam sido expostos em espetáculosubíquos, controlados e eficazes. Os prisioneiros teriam sido obrigados a desempenhar trabalhos que refletiam os seus crimes, de certo modo prestando à sociedade uma reparação pelos danos causados. Isto teria permitido ao público ver os condenados cumprindo suas condenações e assim refletir sobre os crimes cometidos. Mas estas experiências durara menos de vinte anos.
Foucault sustenta que estateoria da punição “gentil” representou o primeiro distanciamento da excessiva força do soberano, em direção a meios de punição mais generalizados e controlados. Porém, sugere que a mudança em direção à prisão que se seguiu foi o resultado de uma nova “tecnologia” e ontologia voltada ao corpo que teria sido desenvolvida no século XVIII: a tecnologia da disciplina e a ontologia do “homem como...
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