Resumo do livro "feliz ano novo" de rubem fonseca

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  • Publicado : 9 de outubro de 2012
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No conto que dá título ao livro, "Feliz Ano Novo", Rubem Fonseca expõe cruamente o contraste entre a classe marginalizada, pobre, e a burguesia, abastada e indiferente ao que acontece na periferia citadina.

É narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de uma personagem que assiste pela TV aos preparativos para a chegada do Ano Novo, a propaganda de roupas novas que serão compradas pelas"madames granfas" e imagina como será a festa dos ricos: bailes, jóias, vestidos novos etc. Ele e os amigos decidem invadir uma casa de ricos que estão dando uma festa e ali cometem todo tipo de agressão, incluindo a execução final.

O conto começa com uma informação de segunda mão: Vi na televisão que as lojas bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no réveillon. Vitambém que as casas de artigos finos para comer e beber tinham vendido todo o estoque. Logo em seguida, o narrador nos expõe a sua situação, agora de modo direto: Vou ter que esperar o dia raiar e apanhar cachaça, galinha morta e farofa dos macumbeiros. Com grande economia de recursos - até porque conta com o reconhecimento fácil do leitor - Rubem Fonseca ambienta sua narrativa. Já se sabe, desdeas primeiras e escassas linhas de que estrato social são retirados os três protagonistas dessa história. Mais algumas frases e acumula-se o necessário para localizá-los em sua miséria: estão num lugar que cheira mal, entre drogas, armas e objetos roubados. São negros, feios e desdentados, insinua o narrador, que é um deles.

Usando nossas próprias informações de segunda mão, os noticiáriospoliciais da televisão e da imprensa escrita, dá para completar a imagem do espaço que os cerca e que faz com que eles sejam quem são. É mais do que suficiente para os propósitos da narrativa. O que interessa aqui é como esses três homens inscrevem em si esse espaço, transportando-o em seus corpos. Isso pode ser observado na segunda parte do conto, quando eles invadem uma mansão, em meio a uma festade réveillon. Lembrando que a perspectiva seria de um dos assaltantes, é interessante observar que a única descrição importante da casa (fora a utilitária, de que ela tinha um jardim extenso e ficava no fundo do terreno, o que facilitaria o assalto) é de que o banheiro do quarto da proprietária possuía uma grande banheira de mármore, a parede forrada de espelhos e de que tudo era perfumado.

Adescrição entra aí para marcar a diferença óbvia em relação à casa do narrador, onde o banheiro cheirava tão mal que um dos amigos preferia usar a escada do prédio. É depois de ver o banheiro da mulher que ele decide defecar sobre a colcha de cetim de seu quarto. A cena, muito antes de ter seu significado vinculado ao pretenso desprezo do bandido pelo luxo do ambiente, serve para confirmar o que osdonos da casa e seus amigos (ou os leitores de classe média de Rubem Fonseca) pensam sobre os marginais: como não podem ter o que nós temos, eles destroem o que é nosso. Essa é a tônica do conto. Os três assaltantes são apresentados como predadores do espaço que invadem. Apesar de sonharem com a riqueza, não demonstram nenhum interesse pelo que está a sua volta - apenas pisam, sujam, contaminamcom a sua presença. Como se trouxessem, consigo, a imundície do lugar em que vivem. E isso não está apenas no barro de seus sapatos, mas no modo como se expressam e se comportam. Enquanto as ricas vítimas do assalto ficam em silêncio, amarradas no chão - e nós lhes adivinhamos os modos educados e a sintaxe correta -, os bandidos andam de um lado para o outro desajeitadamente, comem com as mãos,arrotam alto e usam uma linguagem cujo vocabulário não abrange muito mais que três ou quatro palavrões.

Em meio a isso tudo, chama a atenção o quanto o narrador compartilha dos preconceitos de classe média que circulam dentro e fora do livro. Logo no início do conto ele se mostra superior aos seus comparsas pelo fato de saber ler e escrever. Mais adiante, já durante o assalto, se enfurece quando...
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