Resumo do cap 3 do livro como nasce o direito rudolf

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  • Publicado : 11 de junho de 2012
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A luta pelo direito é um dever do titular interessado para consigo mesmo.
A conservação da própria existência é a lei suprema de todo o Universo; na busca da autopreservação, ela está em todas as criaturas. Mas, para o homem, não se trata apenas da vida física, mas também de sua existência moral, cuja necessidade é a conservação do direito.
O ser humano, através do direito, possui e defendesua exitência moral - sem direito, ele se rebaixaria até os animais, como já faziam os romanos, que, do ponto de vista do direito abstrato, nivelavam os escravos aos irracionais.
Defender o direito é, pois, dever moral de autopreservação, tarefa completa, embora hoje em dia impossível. Outrora, era verdadeiro suicídio moral.
O direito, porém, nada mais é do que a soma de seus institutos,pressupondo todos uma condição única, física ou moral, que lhe condiciona a existência.
Isso acontece com a propriedade e o casamento, com o contrato e a honra. A renúncia a uma dessas condições é tão impossível quanto a renúncia do direito, globalmente, mas é concebível o ataque de um terceiro a uma dessas condições e, neste caso, particularmete.
Alliás, a oportunidade da aludida defesa aparece como ato de arbítrio que se dirige contra as condições de existências do direito.
Ao defender o que é seu, o agredido acaba por defender a si mesmo, a sua personalidade. Apenas o choque entre o dever de defender a propriedade e o dever mais elevado de defender a vida (choque que ocorre, quando o bandido coloca o assaltado diante do dilema de escolher entre a bolsa ou a vida) poderia justificar arenúncia à propriedade. Fazendo abstração dessa hipótese, é dever de todo homem, para consigo mesmo, o de repelir, por todos os meios de que dispuser, toda agressão ao direito, na qual esteja envolvida sua pessoa, pois, mantendo-se passivo diante do ataque, estará aceitando, ao menos por um momento, a ausência do direito em sua vida. Ninguém, na verdade, concorrerá para que isso ocorra.
Examinemos,agora, um exemplo isento de dúvidas, como o de ofensa à honra, numa corporação em que o sentimento de honra atinge altíssimo grau de sensibilidade - a dos militares de maior hierarquia. O oficial que não reage diante de ofensa à sua honra incompatibiliza-se com toda a corporação a que pertence e não mais pode ocupar seu cargo, pela simples razão de que a defesa da honra é dever máximo de todos.Por que razão, para o oficial, o cumprimento desse dever é levado a tal ponto? Porque , certamente, ele sente, e com razão, que a corajosa reafirmação da personalidade é, no caso dele, precisamente, condição indispensável e pertinente a esse status, e que uma corporação, como a militar, que, por sua natureza, deve ser a afirmação da coragem pessoal, não poderá, de modo algum, admitir a covardiade um de seus membros, sem se aviltar.
Observemos, porém, o camponês. Este homem, que defende a ferro e fogo sua propriedade, demonstra insensibilidade total no que se refere à honra. Como se explica isto? Por suas condições peculiares de vida, pois a profissão do camponês não exige bravura, mas trabalho, e é este que ele defende na propriedade.
Trabalho e propriedade constituem a honra docamponês. O camponês indolente, que não cuida da propriedade ou que dissipa os bens, é tão desprezado pelos outros camponeses quanto o militar que não defende a honra.
Por outro lado, nenhum camponês despreza um igual, por não ter iniciado uma brigas ou movido uma ação, quando ofendido, o mesmo ocorrendo com o militar, que não é depreciado pelos colegas pelo fato de ser mau administrador.
Para ocamponês, o cultivo da terra e a criação de gado constituem a razão de ser de sua existência e, assim, quando o vizinho passa a arar uma porção de suas terras ou quando o comprador de gado deixa de pagar-lhe o preço do boi vendido, inicia ele, como pode, um processo, conduzido por veemente paixão, lutando analogamente ao oficial ofendido na honra, que, espada em punho, defende seu direito....
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