Resumo - crise do fordismo

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  • Publicado : 5 de março de 2013
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Crise do Fordismo – David Harvey

Nem todos eram atingidos pelos benefícios do fordismo, haviam sinais evidentes de insatisfação. A negociação fordista de salários, por instância, estava confinada a certos setores da economia e a certas nações-Estado. Os mercados de trabalho se dividiam entre monopolista e competitivo, o segundo muito mais diversificado e com poucos privilégios. Asdesigualdades resultantes produziram sérias tensões sociais e fortes movimentos sociais por parte dos excluídos – movimentos que giravam em torno da maneira pela qual a raça, o gênero e a origem étnica costumavam determinar quem tinha ou não acesso ao emprego privilegiado. Essas desigualdades eram particularmente difíceis de manter devido aumento das expectativas, alimentadas em parte pelos artifíciosvoltados à criação de necessidades e à produção de um novo tipo de sociedade de consumo. Sem o acesso privilegiado da produção em massa, amplos segmentos da força de trabalho também não tinham acesso às tão louvadas alegrias do consumo de massa. Se organizaram fortes contramovimentos de descontentamento com os supostos benefícios do fordismo.
As lutas trabalhistas não desapareceram, pois os sindicatoseram muitas vezes forcados a responder a insatisfações da base. Mas os sindicatos também se viram cada vez mais atacados a partir de fora, pelas minorias excluídas, pelas mulheres e pelos desprivilegiados. Os sindicatos foram reduzidos, diante da opinião pública, a grupos de interesse fragmentados que buscavam servir a si mesmos, e não a objetivos gerais.
Ao mesmo tempo, a legitimação do poderdo Estado dependia cada vez mais da capacidade de levar os benefícios do fordismo a todos e de encontrar meios de oferecer assistência medica, habitação e serviços educacionais adequados em larga escala. A condição do fornecimento de bens coletivos, por sua vez, dependida da contínua aceleração da produtividade do trabalho no setor corporativo. Só assim o Estado keynesiano de bem-estar socialpoderia ser fisicamente viável. De maneira geral, existiam criticas e práticas contraculturais paralelas aos movimentos das minorias excluídas e à critica da racionalidade burocrática despersonalizada.
Além disso, existiam os insatisfeitos do terceiro mundo com um processo que promovia a destruição das culturas locais, muita opressão e numerosas formas de domínio capitalista em troca de ganhosbastante pífios em termos de padrão de vida e de serviços públicos, a não ser por uma elite nacional muito afluente que decidira colaborar ativamente com o capital internacional. Movimentos em prol da libertação nacional eram freqüentes.
O núcleo fordista manteve-se relativamente estável até 1973, e até conseguiu manter a expansão do período pós-guerra – que favorecia o trabalho sindicalizado e, emalguma medida, estendia os benefícios da produção e do consumo de massa de modo significativo.

Capítulo 9 – Do fordismo à acumulação flexível

A recuperação da Europa Ocidental tinha se completado, seu mercado interno estava saturado e o impulso para criar mercados de exportação para o seus excedentes tinha de começar. Ao mesmo tempo, o sucesso da racionalização fordista significava odeslocamento de um número cada vez maior de trabalhadores da manufatura. Houve enfraquecimento da demanda afetiva acompanhado por uma queda na lucratividade e produtividade corporativas, que marcou o começo de um problema fiscal nos EUA, passível de ser sanado com a aceleração da inflação. Além disso, as políticas de substituição das importações em países do terceiro mundo, associadas ao primeiro grandemovimento das multinacionais na direção da manufatura no estrangeiro, geraram uma onda de industrialização fordista competitiva em ambientes inteiramente novos, nos quais o contrato social com o trabalho era fracamente respeitado. A competição internacional se intensificou e uma gama de países ameaçou a hegemonia estadunidense.
Entre 1965 e 1973 tornou-se cada vez mais evidente a incapacidade...
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