Resumo catadores da cultura visual

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O problema está na narrativa e na resistência em mudá-la

Um dos maiores problemas enfrentados hoje pelas escolas é a narrativa dominante sobre a educação na qual se insere e suas dificuldades em mudá-la. As narrativas são formas de estabelecer a maneira como há de ser pensada e vivida a experiência. Uma forma de narrativa muito poderosa no terreno educativo é aquela que tende à naturalização:As coisas são como são e não podem ser pensadas de outra maneira, como por exemplo, a única forma de agrupar os alunos é por idade, os horários é a única maneira de organizar o tempo escolar, o exercício e a repetição são as melhores formas de propiciar o aprendizado, entre outros.
Na educação escolar, a primeira grande narrativa deriva do Iluminismo e está vinculada à obtenção da democracia combase nos direitos do cidadão. A segunda narrativa expandiu a anterior a variante da liberdade e d democracia. Surgiu depois da Segunda Guerra Mundial, com o propósito de evitar que aparecessem novos totalitarismos. A atual narrativa é a do mercado. Neste relato, a educação não é um direito, mas um serviço mediado pelas tecnologias que se hão de inserir na economia de mercado e nos ditames daOrganização Mundial do Comércio. Os alunos e as famílias são clientes, e o Estado, cada vez mais desvalorizado em suas responsabilidades, deve fornecer os recursos mínimos para que a população seja atendida. Os governos não se dão conta de que nossa época não exige mais controle, mas autonomia criativa e transgressora de forma a se estabelecer um ponto com sujeitos mutáveis em um mundo onde o amanhã éincerto. Uma boa educação escolar seria uma educação para indivíduos em transição, que construam e participem de experiências vivenciadas de aprendizagem pelas quais aprendam a resolver questões que possam dar sentido ao mundo em que vivem de suas relações com os outros mesmo. O primeiro registro desta narrativa seria todas as concepções e práticas pedagógicas podem e devem ser questionadas. Tudotem um sentido do qual se pode compreender a origem e a finalidade. É a partir desse ponto que nasce a premência de colocar em questionamento as práticas de naturalização que hoje circulam e se mantêm como dogmas na educação.

“Catadores” como metáfora e como proposta

A ideia de “catar”, deriva da tradição agrícola daqueles que recolhem os restos da sementeira e que os artistasimpressionistas representam como perturbadora insistência. É uma ruptura com o discurso dualista que dá origem aos pares deterministas como emissor/receptor, arte/popular, autor/leitor, produtor/consumidor, professor/estudante, corpo/mente, ensinar/aprender e que deixam poucos resquícios à capacitação de ação, de resistência e de reinvenção dos sujeitos.
Com o gesto de “apropriar-se dos restos”, estavamrealizando um ato de subversão, na medida em que rompiam com o papel a elas atribuído pela cadeia do consumo. Com isso, inventavam uma nova subjetividade com base em uma subversão do dualismo vendedor/consumidor. Esta postura de subversão está na narrativa que proponho levar à educação, às mãos, por exemplo, daqueles que, a partir de posições performativas, propõem-se a desfiar, em outros planos, adualidade essencial entre aparência e realidade (além de gênero-sexo). (HERNÁNDEZ, 2007)

Outra narrativa em educação das artes visuais a partir dos estudos sobre cultura visual

“Cultura visual, que em alguns contextos também se denomina por estudos visuais (Elkins, 2003;Brea, 2005), é um campo de estudos recente em torno da “construção do visual nas artes, na mídia e na vidacotidiana”(Dikovitskaya, 2005, p.1)”. (HERNÁNDEZ, 2007)
A partir desse significado, configura-se uma área de investigação e uma determinação centrada na “imagem visual como o ponto central nos processos, e por meio da qual os significados são produzidos em contextos culturais”. A representação é a produção de sentido por meio da linguagem e, nesta produção utilizamos signos “para simbolizar, fazer referência a...
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