Resumo - artigo michael porter - estratégia para o brasil

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  • Publicado : 14 de maio de 2011
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Artigo: Estratégia para o Brasil
Por Michael Porter
* Michael Porter é professor da Harvard Business School e um dos principais gurus de estratégia. Seu primeiro livro, Estratégia Competitiva: Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência, dos anos 80, é um dos clássicos da literatura de negócios.
Sempre me impressionou muito o espírito empreendedor dos administradoresbrasileiros. O Brasil é um país onde há muitos talentos incríveis atropelados pelo sistema, talentos que têm de lidar com um monte de desvantagens e impossibilidades por causa do ambiente. Mas sempre há essa energia, o espírito empreendedor, criativo. Quando eu vinha ao Brasil, há 20 anos, para falar sobre estratégia, o típico administrador brasileiro me dizia: "Ora, eu não posso ter uma estratégia -- tudo éinstável demais. Eu nunca sei o que vai acontecer amanhã".
Mas o Brasil chegou a um estágio no qual todos precisam ter uma estratégia. A estabilidade está chegando, e este é o momento de pensar no longo prazo e em estratégia para os negócios. Muito do sucesso deste país depende de melhorar seu ambiente competitivo.
Para isso, a comunidade administrativa precisa assumir mais responsabilidadepelas políticas econômicas. Os líderes administrativos têm de desempenhar papel maior, não apenas aconselhando o governo, mas também fazendo coisas por si mesmas.
O que cria um ambiente produtivo? E como a produtividade pode crescer para apoiar o sucesso do negócio à medida que o custo da mão-de-obra e das matérias-primas aumenta? Claramente, o aumento da produtividade tem relação com acapacidade de inovação. Quanto mais avançada é a economia, mais as empresas precisam fazer produtos únicos, usando processos de produção únicos, os mais avançados possíveis. Alguns desses processos a empresa provavelmente terá de criar por conta própria.
Não se pode simplesmente confiar em adquirir tecnologia -- é preciso ser capaz de criar tecnologia. Basicamente, a importância da produtividade é queela sustenta o aumento do padrão de vida. Não se consegue ficar mais rico a não ser incrementando a produtividade. Também, no longo prazo, não se consegue criar empregos a não ser aumentando a produtividade. Esse é um ponto que muitos governos não percebem. Há um monte de coisas boas a respeito do Brasil, mas, em termos de inovação, o Brasil não vai bem nem em comparação com outros países da AméricaLatina. A menos que possa haver geração de tecnologia mais avançada no Brasil, pode ser difícil para o ambiente aqui aumentar sua produtividade e, conseqüentemente, para o país realmente assumir posição de liderança econômica.
Quem cria riqueza são as empresas, e não a política macroeconômica
Sabemos que a produtividade é função de duas grandes condições: primeira, da conjunturamacroeconômica, política, jurídica e social. É preciso ter certo grau de estabilidade e qualidade nessas áreas para ser produtivo. Se o ambiente macroeconômico não for estável, ninguém vai investir. Todo mundo será oportunista, ninguém verá as coisas no longo prazo. Uma das coisas mais promissoras sobre o Brasil é a estabilidade começando a emergir, e há esperança de que ela continue.
O país precisa de umsistema político estável. Temos visto uma história muito promissora aqui na última década. Quanto às condições sociais, o Brasil tem os maiores níveis de desigualdade em relação a quase todos os países do mundo. Isso é um problema. Podemos ver progressos no topo da estrutura brasileira, e isso é bom.
Mas, para ter um ambiente produtivo, é preciso também satisfazer a segunda condição: fazerprogressos na base, ou seja, na microeconomia. Nesse ponto acho que, embora as notícias não sejam de todo ruins, o Brasil não tem realmente uma estratégia.
O país tem progredido na luta contra a inflação, no trato da questão fiscal e na reforma do sistema previdenciário. Mas não há realmente uma estratégia para enfrentar a questão da produtividade microeconômica.
E isso vai ser terrivelmente...
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