restauro

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81
em dimensões adequadas a obra. Aberta esta caixa no
terreno
(caldeira), vão sendo espalhadas camadas de terra c
om cerca de 15 cm
de espessura, intercaladas com camadas de palha - o
u também de cal
em pó com cerca de 5 cm de espessura, em especial s
e a pretensão é
obter uma argamassa mais resistente às chuvas – ao
mesmo tempo vai
regando-se cada uma das camadas, sucessivamente, até se formar uma
pasta plástica. Camada a camada, vai se enchendo a
caldeira que
finalmente se cobre com ervas ou mato para ser prot
egida da ação
direta do sol. Para que a terra atinja as condições
de umidade
igualmente distribuída deve manter-se em repouso du
rante pelo menos
uma semana
78
.
3.3.4. Pedra e cal.
Este tipo de alvenaria não difere da de pedra e bar
ro a não ser pelasubstituição da argamassa. Se o barro é usado quand
o ainda não se
dispõe de toda a cal necessária, tão logo esta se t
orna acessível, terá
preferência sobre a precedente
79
.
É executada normalmente para ser revestida com rebo
co, o que não
impede que quando bem executada alguns autores pref
iram deixá-la à
vista. “
Considera-se que uma alvenaria é bem executada quan
do,
mesmoargamassada, respeita as regras de arrumação
e travamento
referidas para a alvenaria seca; a argamassa compor
ta-se apenas
como elemento normalizador de transmissão vertical
de cargas e
garantia da solidez do conjunto
”. Em alvenarias onde a execução fica
a desejar, “
a argamassa aparece como cola ou ligante, provocand
o,
78
J. Paz Branco.
op.cit
.
79
Vasconcellos.
op.cit
. p.30.
82face às grandes diferenças de resistência ente arga
massa e pedras,
que as cargas acabem por ser transmitidas pontualme
nte através das
saliências das pedras, o que provoca deslocações e
fendas que se
manifestam nos mais variados pontos e direções

80
.
A arte do pedreiro, o seu conhecimento técnico, é f
undamental para
um bom resultado, pois é na arrumação dos blocos em
boascondições
de estabilidade que o pedreiro revela sua maior ou
menor
competência.
A pedra aparelhada participa também nas alvenarias
de pedra e cal, na
marcação de pilastras e cunhais, assim como nos emb
asamentos, mas,
especialmente, no acabamento dos vãos, compondo ver
gas, ombreiras
e peitoris. Na abertura dos vãos em que as vergas e
ram retas ou em
arco abatido - de pedra ou de madeira - eranecessá
rio um arco de
descarga (também chamado de arco de ressalva, escar
ção ou sobre
arco) que aliviasse os esforços por sobre a verga.
Em geral este arco
de descarga era construído com tijolos cozidos e fi
cava inserido dentro
da alvenaria e oculto pelas camadas de revestimento
só sendo
observável quando a parede ficava descascada. Dessa
forma, a verga
propriamente, suportavaapenas o peso da alvenaria
entre ela e o arco
imediatamente acima. A falta do arco de descarga, o
que é comum em
vãos que são abertos após o término das alvenarias,
é um dos
principais motivos pelos quais a verga destes vãos
fissuram. Segundo
os tratados clássicos do Renascimento havia a possi
bilidade também
da constituição de um arco plano ou platibanda, no
qual as pedras são
cortadas em“
três troços: dois extremos apoiados sobre colunas o
u
80
Branco.
op.cit
.
83
ombreiras, e um bloco central ou chave

81
, este último tinha suas
faces cortadas formando um trapézio. Nosso período
colonial,
contudo, desconheceu este arco plano.
Existe também a pedra e cal entaipada. Lemos fala q
ue os engenhos
do litoral de São Paulo nos três primeiros séculos
eraminvariavelmente utilizando-se desta técnica: “
essa pedra entaipada
nada mais era que pedras irregulares de diferentes
tamanhos,
argamassadas com areia e cal dentro de fôrmas semel
hantes aos
taipais do planalto

82
. Ainda Lemos, informa que este tipo de técnica
era comum na cidade do Rio de Janeiro, e que de lá
teria sido
trasladada para a costa paulista através da ação de
engenheiros...
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