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BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 49ª ed. São Paulo: Loyola, 2007.

Marcos Bagno é um tradutor, escritor e linguista, doutor em filologia e língua portuguesa pela USP. Atua nas áreas de sociolinguística e literatura infanto-juvenil. Bagno leciona na Universidade de Brasília. Autor de títulos como "A língua de Eulália: novela sociolinguística”, "Português ouBrasileiro? Um convite à pesquisa” dentre outros. Além desses títulos, é autor de duas dezenas de obras literárias. Recebeu em 1988 o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira e, em 1989, o Prêmio Carlos Drummond de Andrade de Poesia, entre outros. Selecionou e traduziu os artigos reunidos em Norma linguística. Vem se dedicando à investigação das implicações socioculturais do conceito de norma, sobretudo noque diz respeito ao ensino de português nas escolas brasileiras.

No livro “Preconceito Linguístico: como é, e como se faz”, o autor Marcos Bagno aborda questões relacionadas ao preconceito linguístico presente em grande parte da sociedade brasileira. Uma questão importante levantada pelo autor é a confusão que muitas pessoas fazem entre língua, um termo mais abrangente, egramática normativa, que é uma ramificação da língua auxiliadora da norma culta.
Nesse contexto, Bagno recusa a noção simplista que separa o uso da língua em “certo” e “errado”, dedicando-se a uma pesquisa profunda dos fenômenos do português falado e escrito no Brasil. Ao mesmo tempo, convida o leitor a fazer um passeio pela mitologia do preconceito linguístico, a fim de combater esse preconceito nonosso dia-a-dia, na atividade pedagógica de professores em geral e, sobretudo, de professores de língua materna. Para isso, o respectivo autor analisa oito mitos inseridos no primeiro capítulo do livro “A mitologia do preconceito linguístico”; Mito 1 – “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”; o autor fala da diversidade do português falado no Brasil e destaca aimportância de as escolas e todas demais instituições voltadas para a educação abandonem esse mito da unidade do português no Brasil e passarem a reconhecer a verdadeira diversidade linguística de nosso país. Quaisquer manifestações linguísticas que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a visão do preconceito linguístico, como “errada". Nesse sentido, aspessoas que não dominam a norma culta da língua são excluídas da sociedade como não participantes dela; Mito 2 – “Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português”; o autor faz uma longa análise levando em conta a história desses dois países e desmistifica mais esse preconceito. Esse pensamento é resultado de uma miscigenação. O povo brasileiro não consegue falar o portuguêslegítimo de acordo como os paradigmas portugueses. A língua falada em Portugal é diferente da brasileira. Portanto, não é verdadeiro afirmar que os brasileiros não sabem falar corretamente a Língua Portuguesa; Mito 3 - “Português é muito difícil”; o problema é que as regras gramaticais consideradas "certas" são aquelas usadas em Portugal, e como o ensino de língua sempre se baseou na norma gramaticalportuguesa, as regras que aprendemos na escola, em boa parte não correspondem à língua que realmente falamos e escrevemos no Brasil. Por isso que o português é tomado como uma língua difícil, à gramática normativa não considera o português falado pelos brasileiros, os gramáticos tradicionalistas ajudam na proliferação desse mito por meio da mídia e em nome do consumismo, refletindo assim no ensino dasescolas; Mito 4 - “As pessoas sem instrução falam tudo errado”; Isso se deve simplesmente a uma questão que não é linguística, mas social e política – as pessoas que dizem “Cráudia”, “praça”, “pranta” pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação e ao capital cultural da elite, e por isso a língua que elas falam sobre o mesmo preconceito que pesa...
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