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Jornal de Pediatria[->0]
Print version ISSN 0021-7557
J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.5 suppl.0 Porto Alegre Nov. 2007
http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000700013
ARTIGO DE REVISÃO
Hipotireoidismo na criança: diagnóstico e tratamento
Nuvarte Setian
Professora associada, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP
Correspondência

RESUMO
OBJETIVO:Apresentar dados relevantes e atualizados referentes ao quadro de hipotireoidismo do recém-nascido ao adolescente.
FONTES DE DADOS: Artigos, revisões e livros contendo informações atualizadas e de interesse.
SÍNTESE DOS DADOS: Esta revisão aborda dados sobre etiopatogenia do hipotireoidismo. A triagem para o hipotireoidismo congênito é importante para o diagnóstico e tratamento precoce dorecém-nascido. Aponta as dificuldades na conduta do hipotireoidismo subclínico. Destaca a importância do diagnóstico da tireoidite auto-imune de Hashimoto, sua alta incidência entre os adolescentes, principalmente meninas, e a existência de um quadro neurológico grave, a encefalopatia de Hashimoto. Aponta para situações em que o hipotireoidismo grave pode levar a distúrbios da puberdade com situações deprecocidade e retardo puberal. Descreve a importância dos fatores de transcrição na embriogênese da tireóide. Critérios diagnósticos e terapêuticos são abordados.
CONCLUSÃO: Os hormônios tireoidianos são necessários para o crescimento e desenvolvimento normal desde a vida fetal. Sua produção insuficiente ou sua ação inadequada em nível celular ou molecular levam ao hipotireoidismo. Esses hormôniossão necessários para o desenvolvimento do cérebro na vida fetal e pós-natal. Neonatologistas e pediatras deparam-se com problemas do desenvolvimento da criança, muitos dos quais já começam em vida intra-uterina. Atualmente, com a triagem neonatal, neonatologistas e pediatras podem evitar danos irreversíveis com tratamento precoce. Também devem estar atentos para disfunções como as do hipotireoidismosubclínico e tireoidite de Hashimoto, que podem provocar danos não só no crescimento, mas também no desenvolvimento neurológico e psicológico destas crianças e adolescentes.
Palavras-chave: Hipotireoidismo, hormônios tireoidianos, tireopatias, insuficiência tireoidiana, hipotireoidismo em pediatria, deficiência tireóidea.

Introdução
A deficiência na produção ou na atuação dos hormôniostireoidianos (HT) leva ao quadro de hipotireoidismo, que é uma das doenças hormonais mais freqüentes em pediatria. A primeira descrição de que se tem notícia desta que é uma verdadeira síndrome é de 1874, feita por Gull, sendo que a denominação mixedema foi dada por Ord em 1878. O nome mixedema para a doença persistiu durante muitos anos, embora Haliburton, em 1893, chamasse a atenção para a ausênciadeste sinal em muitos pacientes1. Os quadros clínicos resultantes da deficiência dos HT dependerão do grau e do tempo de duração desta deficiência, afetando praticamente todos os tecidos em maior ou menor intensidade. Entretanto, é já em vida intra-uterina que a falta de produção adequada determina conseqüências mais danosas, uma vez que os HT têm papel importante no desenvolvimento cerebral normaldo feto2. Com o advento da biologia molecular, muitas informações importantes surgiram, trazendo elucidações etiológicas desta doença, que pode ter seu início desde a vida intra-uterina. Nas últimas 3 décadas, vimos crescer o conhecimento sobre ontogênese, fisiopatologia e diagnóstico precoce, este último permitindo intervenção nos primeiros dias de vida de um recém-nascido (RN) e evitando danospara o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM). Para uma produção adequada do HT, é importante que o eixo hipotálamo-hipófise-tireóide esteja íntegro, garantindo a seqüência das atuações do hormônio liberador hipotalâmico (TRH) sobre a hipófise, produzindo hormônio tireotrófico hipofisário (TSH), o qual, por sua vez, atua na tireóide, produzindo os HT. Deficiências nessas etapas levam a um...
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