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  • Publicado : 15 de junho de 2012
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O PSICOLOGO E O COMPROMISSO SOCIAL NO CONTEXTO DA SAÚDE COLETIVA

Este trabalho objetiva desenvolver uma reflexão em torno de algumas questões que vêm sendo amplamente discutidas no campo da saúde coletiva. Trata-se não só da mudança no perfil profissional das categorias envolvidas, mas principalmente da transformação de tais profissionais em agentes de mudança a partir de um compromisso socialperante o ideário do sistema de saúde e seus usuários.

A CONSTRUÇÃO DE NOVOS SUJEITOS E PRÁTICAS EM SAÚDE: EM QUESTÃO O COMPROMISSO SOCIAL

Observa-se que, ao longo dos últimos anos, vem se desempenhando no setor saúde uma nova relação entre Estado e sociedade, onde se torna mais visível a presença de uma diversidade de atores, cada qual com seus interesses e projetos próprios, relação quepode propiciar um maior controle público sobre a assistência que é prestada á populaçao, na medida em que passa a ser sujeito ativo e co-responsável pelos rumos tomados pela saúde pública no país.
É preciso uma reconstrução da subjetividade dos trabalhadores do campo da saúde, bem como alterar a cultura organizacional hegemônica, sendo esse, então, o grande desafio que a reforma Sanitária enfrentano país.
Em outras palavras, em se tratando dos Recursos Humanos, temos dificuldades não só em termos da formação profissional, organização e gestão, mas principalmente, no sentido de “erradicar o desinteresse, a alienação, o agir mecânico e burocratizado” ( Campos, 1994,p.43) que estabelece um nítido distanciamento dos trabalhadores entre si e com os usuários dos serviços de saúde. Estamosfalanda da falta de compromisso do profissional com as instituições de saúde, com a qualidade e e humanização das práticas, com o acolhimento e vínculo com os usuários, aspectos considerados fundamentais para a transformação dos modos hegemônicos de fazer saúde e para a construção de um sistema de saúde universal, integral e equânime.
Tal quadro é conseqüência de uma série de fatores que vêm seapresentando ao longo dos anos, entre os quais estão: a redução dos investimentos no setor saúde pelo poder público; os insuficientes investimentos na formação, capacitação e educação continuada dos trabalhadores de saúde tendo em vista novas práticas sanitárias; a falta de integração do aparelho formador com a nova realidade dos serviços; a heterogeneidade das políticas de Recursos Humanos nos trêsníveis de poder, com discrepância quanto à remuneração, jornada de trabalho, plano de carreira e salários e, principalmente, à falta de participação do trabalhadores como co-responsáveis pela gestão do SUS.
Em decorrência disso, nos deparamos com profissionais descontentes, frustrados, apáticos diante da miséria social onde está inserida grande parcela da população brasileira, organizados em tornode interesses imediatos e corporativistas, enfraquecidos em sua capacidade de resistência e luta em prol da cidadania; profissionais impedidos de comprometer-se verdadeiramente com um novo projeto de sociedade e de saúde pública.
Tomando Paulo Freire (1998) como referência, podemos dizer que compromisso implica necessariamente em uma tomada de posição; envolve uma decisão por parte de umSujeito/Ator Social e ocorre no plano das ações, da realidade concreta. Isso quer dizer, por sua vez, que “A primeira condição para que um ser possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de agir e refletir” (p.16). Só um sujeito situado no seu tempo histórico e em relação aos determinantes culturais, políticos e econômicos que condicionam seu modo de estar no mundo poderá transformar, desejar eousar a mudança, sair do conformismo, reverter a lógica que sustenta o imobilismo, isto é, comprometer-se, ser um ser da práxis.
O compromisso social requer um sujeito capaz de construir um saber crítico sobre si mesmo, sobre seu mundo e sobre sua inserção nesse mundo (Martín-Baró,1997). Sujeitos “dinamizadores”, segundo a perspectiva de Paim e Almeida Filho (2000), capazes de revolucionar o...
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