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  • Publicado : 8 de maio de 2012
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Antropologia nos serviços de saúde: integralidade, cultura e comunicação



As Ciências Sociais de modo geral e a Antropologia Médica, especificamente, têm contribuído de maneira decisiva para a compreensão dos fenômenos relacionados ao processo saúde/doença, tanto individual como coletivamente.

o fato de centrar a prática médica no usuário e na sua cultura acaba trazendo benefícios parapacientes e profissionais, no sentido do resgate da humanização do cuidado e da integralidade da atenção à saúde.

Paradoxo: há grandes e incontestáveis avanços tecnológicos em benefício do ser humano, por um lado, e, por outro, uma sensação de crise permanente, com atendimento inadequado, insuficiente e, pior, oferecido sem eqüidade.

A preocupação com a saúde definitivamente incorporou-se aonosso cotidiano. Só que, ainda hoje, para perplexidade de alguns, nem sempre todos os problemas de saúde são vistos dentro do sistema formal de cuidado à saúde. Pelo contrário: calcula-se que 70 a 90% dos episódios de doença são manejados fora desse sistema, por autocuidado ou busca de formas alternativas de cura.

Ou seja, o modelo biomédico é apenas um entre tantos sistemas disponíveis no“mercado” da saúde. O que há de comum entre esses diversos sistemas e que gostaríamos de explorar um pouco mais neste artigo é o encontro que se estabelece entre o paciente e o agente de cura.

A doença é uma experiência que não se limita à alteração biológica pura, mas esta lhe serve como substrato para uma construção cultural, num processo que lhe é concomitante.

existem percepções culturaisacerca de um fenômeno que também abarca o biológico, mas que o supera.

A doença pode ser a mesma, mas a forma de tratamento, o sistema de saúde disponível e, sobretudo, a percepção que a pessoa acometida terá sobre a sua doença variarão enormemente.


Podemos dizer que illness, o equivalente a “perturbação”, é a forma como os indivíduos e os membros de sua rede social percebem os sintomas,categorizam e dão atributos a esses sintomas, experenciando-os, articulando esse sentimento por meio de formas próprias de comportamento e percorrendo caminhos específicos em busca da cura. Além da experiência
pessoal, o indivíduo atribui significado à doença. Enfim, illness é a resposta subjetiva do indivíduo à situação de doença, uma resposta que engloba aspectos individuais, sociais e culturais àexperiência de estar doente. Por outro lado, disease é a forma como a experiência da doença (illness) é reinterpretada pelos profissionais de saúde à luz de seus modelos teóricos e que os orienta em seu trabalho clínico.

E aqui, por biomedicina, referimo-nos à teoria e prática médica predominante no ocidente e amplamente disseminada em todo o mundo. Tem como sinônimo expressões que, em geral,definem a Medicina como “ocidental”, “científica” e “alopática” e apresenta entre suas principais características o foco sobre o ser humano enquanto entidade essencialmente biológica

Uma das atribuições principais do médico é, então, “traduzir” o discurso, os sinais e os sintomas do paciente para chegar ao diagnóstico da doença, ou seja, decodificar illness em disease.


“teoria peritonial dacultura”:no cenário de um serviço de saúde, há pelo menos dois “dedos de luva” se encontrando, recobertos por uma hipotética “fina membrana semipermeável”: a do profissional de saúde e a do paciente, cada um deles conectado, no momento do contato, ao seu universo cultural e simbólico, que o “alimenta”, dá sustentação e possibilita a realização de “trocas”


Analisando o fenômeno sob esseprisma, uma das questões centrais ao defrontar médicos e pacientes é o encontro de modelos explanatórios (ou explicativos) diferenciados. A experiência da doença é moldada culturalmente, o que determina a maneira como percebemos e como buscamos superá-la. Podemos dizer que nós literalmente “aprendemos a ficar doentes”, de acordo com o nosso meio social, que influencia diretamente a forma como...
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