Resenha: o continente do labor

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Revista Educação e Políticas em Debate - v. 1, n. 1, - jan./jul. 2012.

RESENHA ANTUNES, Ricardo. O Continente do Labor. São Paulo, SP: Boitempo, 2011, 1 ed., 175p.

Responsável pela Resenha: Simone Vieira de Melo Shimamoto1
Universidade Federal de Uberlândia

O livro O Continente do Labor, do sociólogo Ricardo Antunes, não nasceu de um projeto de pesquisa ligado ao mundo do trabalhoatual, mas teve suas origens nos debates e produções ocorridos na América Latina, trazendo em si um traço coletivo, por conter em seu tecido, muitas mãos. Mãos de alunos e professores que participam de grupos de pesquisa e partilham as inquietudes do pensar e debater o mundo do trabalho. Por que o continente do labor? Porque a América Latina (quase um “ilustre desconhecido”) traz em si a singularidadeda colonização em forma de exploração, sofrimento e escravidão. Um trabalho que passa da produção artesanal ao trabalho escravo e, deste, ao assalariado. Dialeticamente, o continente da opressão e da rebelião; da exploração e da revolução. Na primeira parte do livro, “O trabalho na América Latina”, de maneira contextualizada, Antunes analisa o continente do labor contemplando o modo de vida dossujeitos; as lutas sociais; o socialismo no século XXI; e as reflexões de autores que, a exemplo de Florestan Fernandes, leram Marx e conseguiram inseri-lo no contexto latino americano. No exercício de contextualização, o autor explora a história do trabalho nos países componentes da América Latina, continente nascido sob a égide do trabalho. Destaca, inicialmente, a diferença basilar entre acolonização inglesa na América do Norte, com a criação de colônias de povoamento, e a ibérica na América Latina, caracterizada pelas colônias de exploração, com fins à acumulação primitiva do capital para atender aos países centrais. No processo de constituição da classe trabalhadora latino-americana, marcado desde sempre pela imensa exploração da força de trabalho, a sociedade viveu o rápido salto dotrabalho rural para a escravidão (africana e/ou indígena), sem experienciar o sistema feudal, passando daquela, para novas formas de trabalho assalariado industrial, diferentemente dos países capitalistas centrais que levaram séculos para que a transição se processasse, desde o artesanato até a grande indústria. É exatamente na constituição do trabalho assalariado que germina o sindicalismo, deinfluências anarquistas, socialistas e comunistas donde, no dialético processo de contradições, movidas pela manutenção e resistência, desenham-se as primeiras manifestações operárias e as primeiras
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Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia. E-mail: shimamot@netsite.com.br249

Revista Educação e Políticas em Debate - v. 1, n. 1, - jan./jul. 2012.

greves. Entre idas e vindas, nos embates e lutas sociais e políticas, “o mundo do trabalho começava a se estruturar enquanto força política de perfil partidário” (p. 20). As próprias forças de resistências, distintas entre si, defendiam formas diferenciadas de superação do modelo posto: no privilégio da açãodireta sem mediação político partidária, ou na proposta de fusão das lutas e na criação dos partidos operários para participação ativa no embate político. Na transição do mundo capitalista agrário-exportador para o urbano-industrial, Antunes destaca o fortalecimento da ação do Estado e o florescimento e expansão do taylorismo e do fordismo, assegurando a produção em massa, controlando os tempos emovimentos, fragmentando as funções, separando elaboração e execução e asseverando a centralização e verticalização dos processos. Para descortinar este período histórico, o autor analisa as experiências do trabalhismo em cada um dos países latino-americanos demonstrando, com clareza e substancialidade, as contradições, lutas de poder, revoluções e golpes de Estado, destacando as inconsistências do...
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