Resenha - a ordem do discurso

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1232 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 28 de abril de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
RESENHA


FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 17. ed. São Paulo: Loyola, 1996. 79 p.
Por: Rivaldete Silva /UNIPÊ

A Ordem do discurso é uma publicação de 79 páginas baseada na aula inaugural de Foucault no Collége de France, em 1970, ao assumir a disciplina História dos sistemas de pensamento, por ocasião da morte de Jean Hippolite, seu professor e mestre.Nesta obra, o autor inicia suas considerações sobre a produção dos discursos na sociedade, expondo as hesitações e o mal-estar de um orador que é instituído a dizer as palavras iniciais de qualquer discurso, alertando para os riscos de se tomar a palavra, já que os seus sentidos proliferam indefinidamente, provocando perigos e inquietações.Entretanto, “É preciso continuar, é preciso pronunciar palavras enquanto as há, é preciso dizê-las até que elas me encontrem, até que elas me digam – estranho castigo, estranha falta, é preciso continuar, talvez já tenha acontecido, talvez já me tenham dito, talvez me tenham levado ao limiar de minha história, diante da porta que se abre sobre minha história, eu me surpreenderia se ela se abrisse.”(p.6).
Nesta perspectiva, ele examina de que maneira “ a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade.”(p. 8-9).Vista dessa ordem, o discurso apresenta variados tiposde controle ou exclusão, porém são dois os mais comuns: os externos e os internos.
As formas de controle externo representam os sistemas de exclusão, são procedimentos que impedem a criação do discurso e podem ser divididos em três sistemas: interdição, rejeição e exclusão. A interdição se faz presente pelo tabu do objeto como os assuntos proibidos, pelo ritual dacircunstância e pelo direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala; a rejeição que opõe a razão e a loucura como o discurso do louco, que nunca é considerado dentro da ordem do discurso das instituições; e a exclusão, onde o autor se detém na sua análise por acreditar que os dois primeiros convergem para o que ele chama de vontade de verdade já que a verdade do discurso acaba sempremascarando a sua vontade de verdade com as práticas discursivas, os sistemas( livros, bibliotecas e laboratórios) e o saber valorizado, distribuído e repartido em uma sociedade. Assim, a palavra proibida, a segregação da loucura e a vontade de verdade são formas de exclusão que impedem o indivíduo de anunciar o seu discurso.
As formas de controle interno põem em jogo opoder e o desejo. São os “procedimentos internos de controle e de delimitação do discurso”(p.21), formas como os próprios discursos exercem seu próprio controle. Nesse contexto, estão o comentário
o autor e a disciplina.
O comentário remete sempre a outro discurso, retoma novos atos de fala, diz um discurso já existente ou cria situações onde este discurso ainda estápor dizer, vai além do texto. Para Foucault, existe um desnivelamento entre os discursos, eles se constroem no correr dos dias e das trocas, estão na origem de novos atos de fala que os retomam ou falam deles. Dessa forma, “o novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta.” (p..26). Isto permite construir novos discursos.
Sobre a questão da autoria , o autor éentendido como unidade e origem de significações, como foco de coerência, o acaso é limitado pela identidade, numa relação da obra com a vida de quem escreve.
Quanto à disciplina, ele a define como um conjunto de métodos, um aglomerado de composições tidas por verdadeiras, um jogo de regras e definições determinadas por um sistema à disposição de quem o usa, de quem...
tracking img