Resenha a nação por um fio

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  • Publicado : 8 de junho de 2011
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A Nação por um Fio, tese de doutorado da professora Laura Antunes Maciel defendida em fevereiro de 1997 apresenta-se como uma obra original. Apesar de já existir diversos estudos a respeito da temática da tentativa republicana de construir uma identidade nacional calcada no propósito de consolidar a imagem de uma nação integrada e “palpável” a todos os cidadãos, a autora propõe a análise por umobjeto pertinente: a Comissão Rondon, sua produção de relatórios, registros fotográficos (cerca de 1800 fotografias) e nove filmes documentários, além da documentação governamental referente.
A preocupação da autora remete a um levantamento da bibliografia e das fontes documentais sobre temas como a introdução da telegrafia no Brasil; a organização do exército nacional e a formação de engenheirosmilitares; a discussão sobre os projetos nacionais colocados naquele momento, incluindo aí a vertente positivista de República; além aos usos da fotografia e do cinema em trabalhos semelhantes aos realizados pela Comissão; e, por meio de alguns registros sobre a Comissão Rondon, uma análise de seus silêncios ou extrema eloqüência, buscando nas entrelinhas de seus memoriais e relatórios delinearquestões que pudessem permitir sua abordagem para além de um viés ufanista ou que apenas reiterassem o relato harmonioso de suas realizações (p.26).
Com efeito, pode-se constatar que tal originalidade e esforço empregados na pesquisa resultam numa obra muita bem estruturada, com questionamentos em diversas óticas da temática. Assim, ao longo da obra são discutidas questões referentes àintrodução da telegrafia e suas devidas implicações sócio-culturais, como por exemplo, o surgimento de uma nova forma de comunicação e suas especificidades. Outro aspecto abordado remete ao pensamento positivista republicano, o qual via na expansão das linhas telegráficas uma expansão do progresso e dos tentáculos do Estado sobre um território a ser amansado e/ou civilizado, de forma pacífica. Prova dissosão as opiniões do professor e engenheiro dos telégrafos Francisco Bhering – “o telégrafo como primeira etapa para a administração do território pelo Estado ou a construção de uma ferrovia de iniciativa privada” – ou ainda Euclides da Cunha que visualizava uma forte não identificação daquele povo com o restante do país (p. 98-99).
Cabia à Comissão Rondon tal tarefa. Como que quase fundidos, asperspectivas de progresso e construção da identidade nacional emergem e moldam o discurso da Comissão.
Dessa forma, a incorporação dessa região inexplorada justificava-se pela intenção de promover “a exploração científica do território e a incorporação do mundo civilizado” (p.157), ponto que sugere questões a serem debatidas. Dentre estas se pode destacar a construção simbólica deste território, apartir da elaboração de mapas e da admissão cada vez mais diversificada de profissionais – botânicos, zoólogos, geólogos, etnógrafos – tanto para o “amansamento” do sertão, bem como a contratação de outros profissionais como fotógrafos e cinegrafistas, capazes de divulgar os resultados das expedições.
Nesse sentido, a autora propõe um debate conceitual sobre a noção de sertão para a época,“prevalecendo sempre três elementos: a noção de vazio, deserto, de lugar despovoado de espaço em branco; a noção de distância do centro do poder, ao litoral ou a cidade; e a oposição ou limite, entre o desconhecido e o conhecido (p.168)”.
Partindo de Williams, de seu conceito de civilização, pode-se perceber que no imaginário destes homens da Comissão é criada essa oposição entre sertão e civilização,sendo civilização para os republicanos uma referência às teorias evolucionistas, determinadas sempre pelos avanços científico e urbano.
Isso resulta numa proposta de incorporação e civilização de territórios, no sentido de paulatinamente afastar o sertão, promovendo o aproveitamento das terras e “amansamento” dos seus habitantes (p.170), e fortalecendo assim a presença da Nação.
Outro...
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