Resenha tributo de samgue

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BEATTIE, Peter M. Tributo de sangue: exército, honra, raça e nação no Brasil, 1864-1945. Trad. Fábio Duarte Joly. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.

“Nas camadas ínfimas da sociedade”: a composição do Exército brasileiro no século XIX e nas primeiras décadas do século XX
“In the minutest layers of society”: Brazilian Army’s composition during the 19th century and the early20th century
Adelson André Brüggemann1

A produção bibliográfica relativa à história militar brasileira, comparada aos demais campos de pesquisa do historiador, ainda é pequena. Nas últimas décadas, especialmente a partir de 1990, cada vez mais pesquisadores têm se debruçado sobre a documentação produzida pelo Exército e pela Marinha ao longo de, pelo menos, dois séculos. Os resultados dessesestudos revelam aspectos importantes a respeito dos papéis desempenhados por essas instituições do Estado, do cotidiano dos soldados, das hierarquias existentes nos quartéis e nos navios de guerra, esclarecendo, além disso, aspectos da formação do Estado brasileiro. Entre tais estudos está o livro Tributo de sangue: Exército, honra, raça e nação no Brasil, 1864-1945, publicado pela primeira vez em2001 na cidade de Durham, no estado norte-americano da Carolina do Norte. O livro foi vencedor dos prêmios Brazil Section Book (2003), da Associação de Estudos da América Latina, e Warren Dean (2004), da Associação Americana de História. Em 2009, foi traduzido para o português e publicado pela editora da Universidade de São Paulo. Peter M. Beattie, seu autor, é Ph.D. em História Latino-Americana,professor do Departamento de História da Universidade do Estado de Michigan e diretor interino do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos. É também sóciocorrespondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de
1

Mestrando em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: aabruggemann@gmail.com
Fronteiras: Revista Catarinense de História [on-line],Florianópolis, n.19, p.139-143, 2011.

Adelson André Brüggemann

Pernambuco. Suas pesquisas estão voltadas para a masculinidade e o machismo na América Latina, para a conscrição no Exército brasileiro, para a formação da identidade nacional brasileira e de instituições penais no século XIX e na primeira metade do século XX. Nesta obra, o autor analisa duas formas de trabalho compulsório para o Estado:o recrutamento forçado e a conscrição. “Conscrição” significa alistar, selecionar de uma lista, sortear. O termo referia-se originalmente à obrigação dos cidadãos romanos da República de se alistarem como adultos capacitados a serem convocados para o serviço militar. “Recrutamento forçado”, porém, descreve um ato impositivo realizado, na maior parte dos casos, pela polícia ou por agentes derecrutamento que capturavam “recrutáveis” nas ruas, geralmente homens sem propriedade, considerados vadios ou criminosos. A conscrição por sorteio, durante o século XIX e início do século XX, foi interpretada como um indício de civilização avançada. Os defensores desse mecanismo de arregimentação de homens para as forças militares o retratavam como uma necessidade prática e uma marca de modernidade. Acapacidade de funcionamento desse sistema seria, portanto, um sinal revelador de novas atitudes em relação ao serviço militar. O livro está dividido em três partes, que totalizam dez capítulos. A primeira parte, com abordagem narrativa, examina o recrutamento, a sociedade e a política desde os tempos coloniais até o início do século XX. A segunda parte examina como e por que o recrutamento forçadofuncionou na ausência de uma reforma entre 1850 e 1916. Nessa parte do livro, o autor apresenta ao leitor quem eram os soldados, como viviam, e o papel do Exército como instituição disciplinadora. Além disso, descreve como as atitudes diante do serviço militar começaram a mudar no início do século XX. Nessas duas primeiras partes, Peter M. Beattie busca compreender melhor o funcionamento do...
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