Resenha- torna-se pessoa

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  • Publicado : 9 de novembro de 2012
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“Este sou eu”
O desenvolvimento do meu pensamento profissional e da minha filosofia pessoal.

Como é que eu tinha chegado ao que hoje penso? Como me tornei a pessoa que sou. Este é um livro sobre o sofrimento e a esperança, a angústia e a satisfação presentes na sala de todos os terapeutas. É sobre o caráter único da relação que o terapeuta estabelece com cada cliente, e, igualmente,sobre os elementos comuns que descobrimos em todas essas relações. Este livro é sobre as experiências profundamente pessoais de cada um de nós. E sobre um cliente no meu consultório, sentado perto da escrivaninha, lutando para ser ele mesmo e, no entanto, com um medo mortal de ser ele mesmo — esforçando-se para ver a sua experiência tal como ela é, querendo ser essa experiência, e, no entanto, cheiode medo diante da perspectiva. É um livro sobre mim, sentado diante do cliente, olhando para ele, participando da luta com toda a profundidade e sensibilidade de que sou capaz. É um livro sobre mim, tentando perceber a sua experiência e o significado, a sensação, o sabor que esta tem para ele. É sobre mim, lamentando a minha falibilidade humana para compreender o cliente e os ocasionais fracassosem ver a vida tal como ela se mostra diante dele, fracassos que caem como objetos pesados sobre a intricada e delicada teia do desenvolvimento que está ocorrendo. É um livro sobre mim, alegre com o privilégio de ser o responsável pelo parto de uma nova personalidade. Durante os meus anos de formação, tinha sido atraído pelas obras do Dr. William Ely, segundo o qual a delinqüência se baseavamuitas vezes num conflito sexual e que, uma vez descoberto esse conflito, a delinqüência cessava. No primeiro ou segundo ano que passei em Rochester, trabalhei a fundo com um jovem piro maníaco que manifestava uma tendência irresistível para provocar incêndios. Ao entrevistá-lo dia após dia na casa de detenção, fui relacionando, gradualmente, sua tendência com um impulso sexual ligado à masturbação.Eureca! O caso estava resolvido. No entanto, quando colocado em liberdade condicional, o jovem recaiu na mesma dificuldade. Lembro-me do choque que senti. Talvez Healy se enganasse. Talvez eu me tivesse apercebido de algo que Healy não sabia. Seja como for o caso fez-me ver com clareza a possibilidade de erro por parte da autoridade dos mestres e que havia novos conhecimentos a adquirir. A segundadescoberta ingênua que fiz foi muito diferente. Pouco depois de ter chegado a Rochester dirigi um grupo de discussão sobre os métodos da entrevista psicológica. Eu tinha achado um relato publicado de uma entrevista, praticamente palavra a palavra, com uma mãe e em que o profissional era perspicaz. penetrante e hábil, capaz de conduzir rapidamente a entrevista para o centro da dificuldade. Sentia-mefeliz por poder utilizá-la como um exemplo de uma boa técnica de entrevista. Alguns anos mais tarde viram-me numa situação semelhante e lembrei-me desse excelente material indo procurá-lo a fim de relê-lo. Fiquei consternado. Aquilo parecia-me agora um nítido tipo de interrogatório judicial em que o entrevistador conseguia convencer a mãe das suas motivações inconscientes e levá-la a admitir asua culpabilidade. Já sabia por experiência própria que esse gênero de entrevista não podia ajudar nem a mãe nem a criança de uma forma duradoura. Isso levou-me a compreender que estava me afastando de todo método coercivo ou de pressão nas relações clínicas, não por razões filosóficas, mas porque esses métodos de aproximação eram apenas superficialmente eficazes. O terceiro incidente ocorreu váriosanos depois. Tinha aprendido a ser mais sutil e paciente na interpretação dada a um cliente do seu comportamento, aguardando uma oportunidade em que a pudesse aceitar sem perturbação. Falava com uma mãe extremamente inteligente, cujo filho era um verdadeiro diabo. O problema era evidentemente a sua rejeição do menino desde cedo, mas, apesar de muitas entrevistas, não conseguia fazê-la ver isso....
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