Resenha sociológica do filme "crash - no limite"

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  • Publicado: 22 de março de 2012
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O filme “Crash - No limite” se trata de uma história de muitos personagens de diferentes origens, onde a história de cada um, de algum modo se entrelaça com a história de outro personagem, exatamente onde o nome do filme entra, pois Crash é uma onomatopéia que expressa som de baque ou choque, expressando exatamente um trocadilho entre esse choque de etnias. O mais interessante do filme é o modoque ele demonstra o que acontece em um choque de culturas étnicas, que pode ser chamado de globalização, que obriga as pessoas diferentes a conviver juntas exaltando as diferenças de cultura, etnia, gênero, personalidade, costumes, o que causa os conflitos. Esses conflitos acabam gerando o preconceito, que é sem dúvida o principal tema abordado no filme, e o interessante é que como o filme mostravárias etnias, o preconceito não fica sempre naquele clássico exemplo “branco e negro”, mas ele ressalta vários tipos de preconceito e discriminação de etnias e culturas como brancos, latinos, negros, persas, iranianos, orientais, etc.
Como a base do filme é o preconceito, surge muita discriminação, que se divide em estigma sofrido e estigma sentido. Quando a mulher chinesa dirigindo-se a detetiveRia diz: “Mexicanos não sabem dirigir.” e Ria retruca dizendo: “[...] escreva em seu relatório o quanto estou indignada por ter sido atingida por uma asiática.” Ou quando o oficial John Ryan está discutindo com Shaniqua por causa de seu pai doente, diz: “Não posso olhar para você sem pensar nos 5 ou 6 homens brancos mais qualificados que não estão no seu lugar.” Ou até mesmo quando Jean Cabotdiscute com seu marido em voz bastante alta para que seu Daniel ouça: “[...] para que esse garoto de cabeça raspada, calça caindo e tatuagem de cadeia vá contar aos dois amigos negros dele.” Todos esses e outros mais são exemplos de estigmas sofridos, que é quando uma pessoa é discriminada e sabe o por quê, o motivo ou o preconceito em que a discriminação se baseia, e nestes exemplos todas as pessoasdiscriminadas sabem o por quê, no exemplo da oriental e de Ria, ela sabe que está sendo descriminada por ser latina, enquanto a resposta dada por Ria é uma discriminação também aberta, pelo fato de ela ter deixado bem claro que estava indignada por ser atingida por uma asiática. No outro exemplo envolvendo o oficial John e Shaniqua, pode-se perceber que é um estigma sofrido pelo fato de ele alémde rebaixar a negritude de Shaniqua insinuando a sua indignação por não ser um branco a estar ali, ele também expressa seu preconceito por ela ser mulher concordando com a Teoria Funcionalista que diz que a mulher tem uma função natural, de ficar em casa trabalhando domesticamente e cuidando dos filhos. Tratando-se dos estigmas sentidos o assunto fica mais complexo, pelo fato de ter de se tratarcom probabilidade, intuição ou opinião na maioria das vezes. No filme alguns exemplos de estigma sentido podem ser encontrados, como quando o oficial John Ryan em uma ligação pergunta o nome da atendente, e ela diz que seu nome é Shaniqua, então John diz: “Shaniqua! Era só o que me faltava”, como o nome Shaniqua, nos Estados Unidos é quase que exclusivamente um nome de pessoas negras, o oficialpercebe que Shaniqua é negra e então diz isso, mas isso não pode ser classificado como um estigma sofrido pelo fato de ele não ter deixado claro que Shaniqua ser negra era o motivo. Outro fato ocorrido foi Jean Cabot se aproximar mais de seu marido quando vê os dois homens negros na rua, deixando o telespectador com a dúvida se ela realmente estava com frio ou se ela estava sentindo medo, que temorigem em seu preconceito racial. Porém esta dúvida é resolvida algumas cenas depois, quando ela diz ao seu marido Rick: “[...] se uma pessoa vê dois negros e desvia é preconceito” e logo depois admite ter ficado com medo ao ver os dois homens negros. Com essa afirmação de Jean podemos afirmar que é um estigma sentido, pelo fato de Anthony sentir que foi discriminado por ser negro, mas Jean Cabot...
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