resenha sobre o livro de mignolo

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RESENHA
HIST~RIAS
LOCAIS / PROJETOS GLOBAIS:
COLONIALIDADE, SABERES SUBALTERNOS E PENSAMENTO LIMINAR

Walter Mignolo'.

Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. 505 p.


O livro de Walter Mignolo é um daqueles livros que deixam marcas em nossa vida
intelectual, pois nos descentra de nossas tradicionais visões sobre a ciência e o conhecimento, desnaturalizando e desconstruindo os cânonesacadêmicos e, desse modo, revelando como nossa formação está arraigada num imaginário marcado por uma colonização intelectual eurocêntrica.
O livro provoca inicialmente um certo desconforto, pois os argumentos questionam
a naturalidade com a qual aceitamos a idéia de que determinadas teorias produzidas em
determinados lugares geoistóricos e línguas (principalmente inglês, francês, e alemão,
apartir da Europa e dos Estados Unidos) são superiores, «avançadas» e possuem um
valor universal incontestável. Já outras teorias produzidas a partir de línguas e histórias locais subaltemizadas (por exemplo, teorias produzidas na Bolívia, em espanhol, ou
no Brasil, em Português) são olhadas com desconfiança e com «reservas» em relação
a uma pretensa validade universal.
Para Mignolo isso implicaem perguntamos: será que as teorias têm o mesmo papel
e significado no seu lugar de origem geoistórico e em outros lugares para onde migram? Por que algumas teorias viajam e têm um alcance maior que outras? As respostas a essas perguntas estão na «colonialidade» do poder e na diferença colonial que
configuram historicamente uma verdadeira geopolítica do conhecimento, onde teorizar,
pensar,parece ser privilégio de poucos indivíduos «iluminados» que estão localizados
em determinados lugares geohistóricos do globo.
Walter Mignolo é argentino, professor de literatura e Antropologia e diretor do Centro de Estudos
Globais e Humanidades da Universidade de Duke nos Estados Unidos.

GEOgraphia -Ano 7 - N" 13 - 2005

O autor analisa como se constitui esse imaginário ao longo da formaçãodo sistema
moderno/colonial, mostra que ocorreu uma verdadeira colonização epistemológica pautada no etnocentrismo, no eurocentrismo arraigado no seio da modemidade, tanto na
filosofia, literatura, religião como na ciência. O autor revela como autores referenciais
do pensamento moderno compartilhavam dessa visão preconceituosa, arrogante e
prepotente, onde somente determinados homens, apartir de.determinadoslugares, culturas e línguas, têm o direito ao pensamento, à filosofia, à ciência. A lista percomda
por Mignolo inclui Hegel Weber, Kant e mesmos os críticos da modernidade como
Marx, Nietzsche, Foucault, Bourdieu, Habermas, Denida, Deleuze e Norbet Elias.
Mignolo propõe ao longo do livro o encontro1confrontodesses autores, suas teorias,
línguas e histórias locais hegemônicascom outras formas de conhecimentos, teorias,
línguas, memórias e histórias locais subaltemizadas. É desse modo que o autor traz
para o cenário intelectual autores africanos, árabes, latino-americanos, entre outros.
Em sua lista estão, por exemplo, Paulo Freire, Anííbal Quijano, Dussel, Darcy Ribeiro,
Roberta Menchú, Rivera Cusicanqui, Rodolfo Kusch, Franz Fanon, Khatibi, entre outros
queapontaram para formas de pensamento e conhecimento a partir da colonialidade
do poder e da diferença colonial.
A primeira lista de autores é bastante familiar, pois são intelectuais do centro do
sistema colonial/moderno que falam e teorizam em Francês, Alemão ou Inglês. Já o
segundo grupo de intelectuais é bem menos conhecido, autores menos lidos e ouvidos
não por falta de capacidade ecriatividade intelectual, mas por falarem e teorizarem a
partir das margens do sistema moderno/colonial,em espanhol, português árabe, crioulo, [«chicano» não é língua!] etc. Isso revela que ao longo da formação do sistema
moderno/colonial se constitui uma verdadeira geopolítica do conhecimento, onde as
localizações geoistóricas estão em estreita relação com as localizações epistemológicas,
tal relação...
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