Resenha sobre o livro: cultura, um conceito antropologico

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  • Publicado: 4 de dezembro de 2011
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O livro Cultura: um conceito antropológico, do autor Roque de Barros Laraia, doutor em Sociologia e atualmente professor da Universidade de Brasília, pretende introduzir o leitor ao conceito de cultura. Por sua familiaridade com culturas diversas que observou diretamente em pesquisas de campo entre os índios Suruí, Akuáwa, Kamayurá e Kaapor ou por sua experiência com as variações culturais denossa própria sociedade expressa pelos representantes regionais, o autor tem bastante experiência para falar sobre o tema.
A obra é destinada a leitores iniciantes ao tema, portanto possui um texto bem didático, claro e simples. O autor utiliza vários exemplos referentes à nossa sociedade, às sociedades tribais que compartilham conosco um mesmo território e exemplos emprestados de autores quetrabalharam em outras partes do mundo. O livro foi dividido em duas partes: a primeira se refere ao desenvolvimento do conceito de cultura a partir das manifestações iluministas até os autores modernos e a segunda procura demonstrar como a cultura influencia o comportamento social e diversifica a humanidade.
No primeiro capítulo o autor fala sobre um grande dilema: a conciliação da unidadebiológica e a grande diversidade cultural da espécie humana, ou seja, o determinismo biológico. No primeiro exemplo ele cita Heródoto, o grande historiador grego, que ao descrever o sistema social dos lícios percebe que, diferentemente da sua sociedade, os Lícios tomam o nome da mãe, e não o do pai. Ao considerar os costumes dos lícios diferente de, como diz o autor, todas as outras nações domundo, Heródoto, em uma atitude etnocêntrica, estava tomando como referência a sua sociedade patrilineal, ou seja, onde o parentesco é considerado apenas pelo lado paterno.
O padre José de Anchieta, ao contrário de Heródoto, se surpreendeu com os costumes patrilineares dos índios Tupinambá e escreveu: “O terem respeito às filhas dos irmãos é porque lhes chamam filhas e nessa conta as têm, eassim neque fornicarie as conhecem, porque têm para si que o parentesco verdadeiro vem pela parte dos pais, que são agentes; e que as mães não são mais que uns sacos, em respeito dos pais, em que se criam as crianças, e por esta causa os filhos dos pais, posto que sejam havidos de escravas e contrárias cativas, são sempre livres e tão estimados como os outros; e os filhos das fêmeas, se são filhos decativos, os têm por escravos e os vendem, e às vezes matam e comem, ainda que sejam seus netos, filhos de suas filhas, e por isto também usam das filhas das irmãs sem nenhum pejo ad copulam, mas não que haja obrigação e nem o costume universal de as terem por mulheres verdadeiras mais que as outras, como dito é.”
Montaigne procurou não se espantar com os costumes dos Tupinambá, de quem tevenotícias e chegou mesmo a ter contato com três deles, afirmando não ver nada de bárbaro ou selvagem no que diziam a respeito deles, porque na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra. Montaigne assim comentou a antropofagia dos Tupinambá: “Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade, mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueiraacerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos.”
O Determinismo Biológico é uma corrente que defende que a cultura, ocomportamento, o modo de ser, de viver é determinado geneticamente e, sobretudo pela raça e pelo sexo. Porém o autor se opõe ao determinismo biológico relatando que: “... se retirarmos uma criança xinguana de uma família, de seu meio, e a educarmos como filha de uma família de alta classe média de Ipanema, o mesmo acontecerá: ela terá as mesmas oportunidades de desenvolvimento que os seus novos irmãos”...
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