Resenha roger e eu

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  • Publicado : 20 de agosto de 2012
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ROGER E... MICHAEL MOORE!

O diretor Michael Moore, com estupenda ironia apresenta mais uma incrível produção: Roger e Eu, na versão brasileira; sendo seu título original, Roger & Me. Trata-se de um documentário sobre a cidade de Flint, no estado de Michigan, EUA, onde durante décadas foi sustentada por uma instalação da General Motors - alto escalão do ramo automotivo - sendo sua cidadenatal, empregando trinta mil operários em sua linha de produção.
Ao deixar Flint no Michigan, rumo à São Francisco na Califórnia, Moore deixa uma cidade próspera,onde uma GM era grata por Flint e Flint grata a GM. A indústria possuía um forte sindicato de trabalhadores e tudo em Flint existia em função da General Motors.
Ao retornar depois de dez anos, para a cidade a qual o futuro dependia daGM, o que Michael Moore encontra, no entanto, não era o esperado: A GM fecha suas portas em Flint. Isso era muito grave... Trinta mil desempregos numa única cidade! O plano, como classifica o produtor, era brilhante: Deslocar a produção de Flint para outra fábrica no México, onde a mão de obra local seria mais barata, para usar o dinheiro poupado, para assumir outras companhias, como as de altastecnologias e fabricantes de armas, para então dizer ao sindicato que estavam em momentos ruins e eles concordarem em fazer cortes de salários.
A reação dos demitidos mostrado no filme, num dado momento retrata bem o que disse E. P. Thompson, no seu livro “Costumes em Comum” sobre os trabalhadores da Inglaterra no século XVIII, ao afirmar que se o preço da farinha subisse, eles cobrariam dopadeiro, sem compreender os fatores que acarretaram tal fato. Vemos isso na fala revoltada de um entrevistado ao afirmar que a melhor coisa que a indústria poderia fazer era despedir Roger Smith, sem atentar ou simplesmente ignorar o fato de que Roger Smith era o representante dos interesses da GM... Na verdade, o documentário em si nos remete a essa idéia. É claro que aqui há espaço para umadiscussão mais detalhada, no contexto do filme, mas por enquanto, nos contentemos em descrever o documentário, e retomaremos o assunto mais adiante.
A decisão de Roger Smith em fechar as fábricas – por simples razão de competitividade, observando que não estava em crise e sim, lucrando bilhões e bilhões de dólares - em medas da década de 80, teve como conseqüência do desemprego a pobreza, criminalidade(...). Frente à situação de ruína de Flint, ocasionada pelos desempregos da GM, Moore, estabelece uma “simples” missão: Convidar Roger Smith para conhecer alguns dos desempregados da General Motors.
A elite local mostrava-se insensível à bancarrota da cidade e em determinada cena, um entrevistado, chegou ao cúmulo de afirmar que os pobres não queriam trabalhar e deviam fazer algo, se mexer paraarrumar outros empregos, onde se percebe grande ironia de Moore.
Em determinada cena, podemos – não sem provocar outra discussão mais aprofundada, que será retomada apenas mais tarde – estabelecer certa ligação com o paternalismo, dito por Thompson sobre a Inglaterra do século XVIII, onde os pobres se submetiam aos favores e gentilezas; no documentário retratado pela cena onde os desempregadostrabalham como estátuas humanas nas festas da alta sociedade.
Chama a atenção, a fala de um homem da elite local, onde diz que começaram uma revolução industrial na historia da humanidade, e ao ser questionado sobre qual foi a revolução, ele afirma: “Os carros. O Aço.” Ao que parece, se esqueceu que atrás de tudo o que diz respeito as indústrias, até as revoluções se deve primordialmente à classetrabalhadora.
Enquanto a cidade, de grande pólo industrial passava a ser o pior lugar de se morar dos estados Unidos, os ricos se divertiam em seus clubes de luxo, sem se importar com os pobres que eram diariamente despejados. Aliás, Michael Moore não nos poupa em nenhum momento, dos constantes despejos, as cenas que mais aflige no decorrer do filme.
A busca por Roger continuava e mostrava-se...
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