Resenha: responsabilidade e a tecnologia

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  • Publicado : 31 de maio de 2011
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Resenha: Responsabilidade e a Tecnologia

"A responsabilidade hoje: o futuro ameaçado e a idéia de progresso" (Capítulo 05, Principios da Responsabilidade: Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica, 354 páginas), do autor Hans Jonas, traz um conjunto de idéias na relação entre o homem e a natureza e sua responsabilidade existencial e o progresso futuro.

Jonas nasceu na cidade deMonchengladbach em 10 de maio de 1903. Estudou filosofia e teologia em Friburgo, Berlim e Heidelberg e conclui o doutorado em Marburg. Ficou muito conhecido devido à influente obra: O Principio da Responsabilidade. Seu trabalho é focado nos problemas referentes à ética social desencadeados pela tecnologia. Ele ressalta que a sobrevivência humana depende do esforço do homem para cuidar do futuro doplaneta. Seu princípio supremo era: “Atuar de forma que os efeitos de suas ações sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana genuína”.

Hans divide o capítulo V em seis partes: I- Futuro da humanidade e futuro da natureza; II- A ameaça tenebrosa contida no ideal baconiano; III- Capitalismo ou marxismo: quem está mais bem preparado para enfrentar o perigo?; IV- Exame concreto daspossibilidades abstratas; V- A utopia do “Homem verdadeiro”, o que está por vir; VI- A utopia e a idéia de progresso. Nesses tópicos, aborda questões como os avanços tecnológicos e científicos, o capitalismo versus marxismo, mostrando duas formas de conviver com os problemas causados pelos avanços da ciência e da tecnologia bem como as utopias que movem essas duas concepções políticas.

Segundo Hans, acivilização técnica tem como dever primordial garantir o futuro da humanidade, porém o homem tornou-se destrutível para si e para a natureza. Ressalta que o homem deve fidelidade a natureza, visto que dela ele foi gerado. A natureza é parte da integridade a ser preservada.
Hans cita a contestação da teoria physis, a qual dizia que a natureza estaria a serviço dela mesma, garatindo assim aintegração das partes no todo. Para Aristóteles, a razão humana seria incapaz de lesar essa mesma natureza pela sua contemplação. Seguindo a linha do tempo da evolução da história humana, trata-se uma súbita mudança no destino da natureza. Independente do consentimento humano, o poder e o perigo impõem um dever, o qual, por meio da solidariedade imperativa com o resto do mundo animal, se estende dohomem para restante. Diante deste fato o autor diz que quando o homem deixa de ser o agente executor do trabalho realizado na natureza para ser o destruidor, deveria incorporar à sua vontade o “sim” do trabalho, impondo ao seu poder um “não ao não ser”, que nada mais é que uma consequência do poder nagativo da liberdade, que o “devo” ou “não devo” venha antes do dever positivo. Por enquanto, todo otrabalho a respeito do homem “verdadeiro” é referente à existência da humanidade em um ambiente satisfatório.
O curso atual que segue a destruição da natureza, Hans se depara às vésperas de uma catástrofe. Ele cita o programa baconiano – o qual coloca o saber a serviço da dominação da natureza e utilizá-la para melhorar a sorte da humanidade. A ameaça de catástrofe decorre do êxito excessivo, emdois aspectos: econômico e biológico. Hans defende que a inter-relação de ambos, que conduz necessariamente à crise, ou seja, no êxito econômico, um crescimento enorme do intercâmbio metabólico entre corpo social e o ambiente natural. Esse fato, por si só, já apresentava o esgotamento dos recursos naturais; no êxito biológico, o crescimento exponencial da população na esfera de influência dacivilização técnica, estendendo-se recentemente por todo o planeta. A explosão demográfica, compreendida como problema metabólico do planeta, rouba as rédeas da busca de uma melhora no nível da vida, tornando uma humanidade empobrecida, diante da luta pela sobrevivência, àquilo que ela poderia fazer ou não fazer em função da sua felicidade. Segundo Hans, essa é a perspectiva apocalíptica que se insere...
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