Resenha os queijos e os vermes

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UNIVERSIDADE FEDRAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
Curso de História

Patrícia da Silva Rocha

RESENHA DO LIVRO “O QUEIJO E OS VERMES”

Seropédica – RJ
Novembro de 2012
Patrícia da Silva Rocha

RESENHA DO LIVRO “O QUEIJO E OS VERMES”

Resenha apresentada ao Professor Doutor Ricardo Oliveira, na disciplina História Moderna I
(TH 512).

Seropédica – RJ
Novembro de 2012
GUINZBURG, Carlo. O queijo e osvermes: O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

Carlo Guizburg é um historiador italiano. Leciona na Universidade da Califórnia, em Los Angeles e é conhecido por ministrar cursos na Universidade de Bolonha e no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. Sendo também conhecido por seus diversos livros, dentre eles, “O queijo e osvermes”. Este trabalho surgiu por acaso. O autor, em busca de informações sobre uma seita de Friuli, cujos membros eram conhecidos como bruxas e curandeiros, voltou-se ao Arquivo da Cúria Episcopal da cidade de Udine, quando se deparou com o processo do personagem em questão.
Este livro retrata a vida e o julgamento inquisitorial de um moleiro, Domenico Scandella, mas conhecido por Menocchio.Este residia em Montereale, aldeia localizada nas montanhas de Friuri. A história de Menocchio tem como pano de fundo, no século XVI, o contexto da Reforma Protestante e a difusão da imprensa na Europa pré-industrial. “O queijo e vermes” é uma história que remonta, sob uma escala micro, a vida, a cultura, o pensamento, dentre outros elementos das classes subalternas na Europa no período mencionadoe, portanto, um relato histórico rico tanto para especialistas quanto para leitores comuns. A forma como o autor exauriu sua fonte e retratou-a, é dinâmica e esclarecedora.
A personagem, Menecchio, nascera em 1532 e residia em Montereale, onde viveu toda sua vida, exceto entre 1564-65, anos em que viveu em Arba. Era casado e tinha sete filhos, sendo que outros quatro haviam falecido.Respeitado pela comunidade, Menocchio sabia ler e escrever, e tinha uma vida normal junto à pequena aldeia na qual residia. Vale ressaltar que Menocchi, em 1581 havia sido magistrado da aldeia e dos vilarejos vizinhos, assim como também foi administrador da paróquia local, porém a data desta ultima função não se sabe.
Em 28 de setembro de 1583, Menocchio é denunciado ao Tribunal do Santo Ofício comoherege, tendo sido identificado pelos filhos do moleiro, o pároco local, dom Odorico Vorai, como o delator, instigado por dom Ottávio Montereale. Após serem dadas provas circunstanciais, o vigário-geral toma depoimentos dos moradores da aldeia sobre as “heresias e palavras ímpias” proferidas pelo moleiro. Estes depoimentos constituem, nesta obra, o diálogo que o autor propõe entre os inquisidores,Menocchio e os depoentes. No dia 4 de fevereiro de 1584, Menocchio foi preso.
Segundo uma testemunha citada pelo autor, Menocchio considerava que blasfêmia contra os santos não era pecado, mas contra Deus, era. Uma das suas principais idéias disseminadas por ele, era a sua versão da cosmologia e, porque não, teogonia:

Eu disse que segundo o meu pensamento e crença tudo era um caos, istoé, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos. A santíssima majestade quis que aquilo fosse Deus e os anjos, e entre todos aqueles anjos estava Deus [...] e foi feito senhor com outros quatro capitães: Lúcifer, Miguel, Gabriel e Rafael. (pags. 36-37)

Alémdessa sua singular concepção da origem do universo e de Deus e dos anjos, o moleiro ainda concebia ideias, a qual discutia com os demais sem nenhum temor, em relação à descrença na virgindade de Maria, sendo que para ele, ela não poderia ter continuado virgem após o nascimento de Jesus; a idéia de que o Espírito Santo habita em todos, seja lá qual for sua religião ou nacionalidade; a descrença...
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