Resenha identidades do brasil

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  • Publicado : 12 de abril de 2012
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Resenha

O que é identidade social? O que caracteriza a identidade pessoal? O presente artigo reporta-se em seu texto intitulado Cultura Historiográfica: A Construção da Identidade Nacional, que propõe uma reflexão teórica brasileira na ótica de José Carlos Reis, tendo como objetivo, apresentar hipóteses de estudo sobre história através da análise contextual, intertextualidade eepistemológica que têm se dedicado a esta temática. Palavras - Chaves: Identidade - Historiografia - José Carlos Reis

O autor argumenta que, Varnhagen defende a presença portuguesa no Brasil e faz o elogio da colonização portuguesa, e é compreensivo com os seus erros e despotismo. Isto quer dizer, que a Independência não foi prejudicial porque garantiu a continuidade do Brasil colonial no nacional,ou seja, um Brasil português. É interessante observar que a Independência não interrompeu o passado e sim melhorou-o. É evidente que o Brasil continuava português, imperial e independente. Com isto, a nação brasileira seria planejada e construída pelo Estado Imperial, autoridade indiscutível, absoluta. Dentro desta perspectiva, a Independência não foi problemática porque o Estado não foicomprometido, porque continuava nas mãos da dinastia de Bragança. Desta maneira, pode-se entender, que o Estado brasileiro seguirá o modelo do Estado português. Nesse sentido podemos perceber que a unidade deverá ser preservada a qualquer custo, enquanto que o Estado será o centro da nação gigantesca e ao mesmo tempo assegurará a ordem, a lei, a religião, a unidade. Percebe-se por essa leitura que o estadocontinuará a ação civilizadora da Europa branca. De toda forma a uniformidade cultural e a unidade nacional se fizeram com repressões sangrentas. Diante disto, Reis comenta o seguinte:

"A diferença entre Varnhagen e Freyre nesse aspecto talvez se explique pelas datas das suas obras: em 1850, Varnhagen formulava uma visão ainda portuguesa do Brasil, enfatizando a ação da família real; Freyre,em 1930, enfatizando a ação da família rural, formula uma visão luso-brasileira do Brasil, a visão das elites descendentes dos descobridores, que admiram e reverenciam a memória daqueles que criaram este mundo nos trópicos para ela. Há também uma diferença teórico-metodológica essencial: nos anos 1850, predominava uma história político-administrativa e biográfica, valorizando as ações edocumentos oficiais; nos anos 1930, aparece uma "história nova", econômico-social-mental, que valoriza as iniciativas coletivas, anônimas, inconscientes, não-oficiais, reveladas por uma documentação maciça, múltipla, interdisciplinar. Freyre é um dos pioneiros dessa nova história(Burke, 1991)."(REIS, 1999, p. 71 72)

Diante deste fragmento acima, queria saber qual era a história que o Brasilrecém-independente precisava? Ou era a que as elites brasileiras, os descendentes dos "descobridores", dos conquistadores, precisavam para levar adiante a "sua" nova nação, em meados do século XIX? Essa história realizava um "elogio do Brasil luso-brasileiro", dos seus heróis portugueses do passado, expressando uma confiança incondicional em seus descendentes. Assim, essa história não falava de tensões,separações, contradições, exclusões, conflitos, rebeliões, insatisfações, pois uma história assim levaria o Brasil à guerra civil e à fragmentação. Isto é, abortaria o Brasil que lutava para se constituir como poderosa nação, como um outro Portugal.

Ressalte-se, ainda, que essa história legitima a repressão a toda expressão espontaneamente "brasileira". De acordo com José Carlos Reis,Varnhagen será o formulador dessa história e se tornará o primeiro grande "inventor do Brasil", aquele que guiará os conservadores de todos os matizes, que querem um Brasil branco, cristão, unido, sem conflitos, ocidentalizado, controlado sem contestação pelas elites instaladas no Estado, que se tornaria uma potência mundial, um império colonial, um outro Portugal.Varnhagen foi um conservador em...
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