Resenha do texto,a literatura e a formação do homem

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RESENHA: CANDIDO, Antonio, 1918- A literatura e a formação do homem In: Textos de intervenção; seleção apresentações e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas cidades Ed.34, 2002. 392 p. ( Coleção Espírito Crítico)

  O texto “A literatura e a formação do homem”, do autor Antonio Candido resulta de uma conferência pronunciada na XXIV Reunião Anual da SBPC (São Paulo 1972) e está dividido emtrês partes, nas quais apresenta elementos que fundamentam a tese apresentada pelo autor de que a literatura humaniza o homem. Para tal, o autor inicia abordando conceitos de função e estrutura no contexto das obras literárias, expondo ainda funções encontradas na literatura tais como a função psicológica, a função formadora e a função social, exemplificando cada uma destas no decorrer do texto.        “Que incompatibilidade metodológica poderia existir entre o estudo da estrutura e da função?” (CANDIDO, 2002, p.77)
         A primeira parte do texto está voltada ao estudo do conceito de função e estrutura no âmbito da literatura. Nesse sentido, o autor afirma que os estudos modernos, não se ocuparam muito em estudar a função da obra literária, haja vista estes estudos se inclinarem àestrutura da mesma, consistindo em olhar os recursos que constituem a obra, partindo da visão mais generalizada, situando-a no contexto de modelos, o estudo da função, segundo Candido centraria sua expectativa em desvendar aspectos internos relacionados a sua singularidade, à função maior da literatura,  ao papel de uma determinada obra, primando por perceber qual a visão do autor, e responderquestões acerca da maneira específica de sua escrita que exprime o seu modo de ver e pensar a realidade no qual está inserido,  e que serviu de base para tal produção. Candido segue mostrando que o estudo da função da obra literária ultrapassa seus limites estruturais, seus elementos de organização, encontrados no plano estrutural, alcançando o valor, as intenções que a obra tem para o público – leitor –de despertar, emocionar, sensibilizar ou até mesmo revoltar, dependendo da ficção e  da fantasias que esta traz consigo,
         Na segunda parte do texto o autor faz apontamentos sobre a função humanizadora da literatura, que além de exprimir o homem, influencia de maneira significativa na sua formação. Nessa perspectiva, o autor volta  seus esforços em apresentar duas funções conferidas àliteratura: a função psicológica e a função formadora, A primeira está relacionada com uma característica própria do ser humano que se refere à necessidade que o homem tem de ficção e fantasia, que, nas palavras do autor, podem ser observadas lado a lado com as necessidades mais elementares do ser humano, como algo universal e involuntário, qie independe de classe  social, cultura, raça ou qualqueroutro fator externo ou aspecto que explique o homem na sua diversidade.
       Conforme o autor, o leitor de uma obra literária , não está isento de sofrer influencias das diferentes informações que esta traz, provocando diversas reações que estão fora do controle de quem faz  a leitura, daí a razão do autor expor a segunda função “formadora“ que confere à literatura um caráter formativo, distintoda pedagogia oficial mas, em todo caso, educativo, tanto quanto a escola  e a família, instituições atuantes na formação do indivíduo. O ponto de vista de um autor, mesmo que de maneira implícita, defendido em uma obra, contribui para novos olhares sobre a realidade, com isso se este se propõe a propagar ideologias das classes dominantes ou defender interesses das classes consideradasdesfavorecidas, o leitor de alguma forma terá uma nova postura, senão pelo menos questões a serem pensadas, que ainda não haviam sido desencadeadas. Esse não controle das inúmeras informações e a complexidade encontrada na literatura, segundo Candido, pode justificar as atitudes ambivalentes de alguns educadores que ora sentem-se fascinados pela força humanizadora da literatura, ora amedrontados pela sua...
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