Resenha do texto a (in)sustentabilidade das cidades-vitrine de fernanda sánchez.

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  • Publicado : 13 de junho de 2012
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Resenha de A (in)sustentabilidade das cidades-vitrine de Fernanda Sánchez

Por Juliana Miranda Gondim

Foi sob a pressão da economia, da tecnologia, de um capitalismo desenfreado, da comunicação e de informações contínuas que surgiu, o que Koolhaas chamou da autêntica cidade moderna. Essa cidade apresenta uma arquitetura global, universal e não relacionada a determinadas condições de lugar,ou seja, é uma cidade genérica e sem identidade.
O capitalismo está sempre em busca de novos produtos e novos mercados, dessa forma, a própria cidade, ou melhor, a utopia que essa cidade vende, tornou-se o produto, e o mundo, o mercado, uma vez que os projetos implantados para essas cidades têm pretensões de inserção global.
Mas o que é essa utopia que está sendo vendida? São idéias difundidaspelos governos locais em parceria com as mídias, numa associação público-privada, com a intenção de criar novas “cidades-modelo”: cidades com modernização tecnológica, com infra-estrutura adequada às novas exigências de fluidez de dinheiro e informação, com alta qualidade de vida e, assim, apresentadas como sustentáveis. De fato, é difícil não se encantar por essas promessas, mas esses projetossão muito simplificadores, não passam de uma repetição em série de modelos tidos como bem-sucedidos, e dispensam muitos pontos importantes relativos à história, cultura e preservação da identidade de um lugar.
O esquecimento desses pontos importantes é deveras irônico visto que uma das condições marcada como imprescindível na Conferência Mundial sobre Cidades-Modelo, realizada em Cingapura em1999, com apoio da ONU, diz respeito ao reforço da identidade como fator de atratividade. Na verdade, até pensam nessas questões e fabricam, em seus projetos, uma falça identidade, sem profundidade e celebrada em espaços que “evocam” a memória, mas que escondem e esquecem as verdadeiras marcas do tempo e tudo o que ele carrega consigo.
Além disso, outro ponto da Conferência que parece ter sidoesquecido é o que diz respeito à participação da comunidade e construção da cidadania. Em nome dos seus projetos de “revitalização” e “renovação” de áreas das cidades eles, da parceria público-privada, impõem novas fronteiras urbanas e desencadeiam processos de expulsão social, onde a presença das pessoas que não combinam com a imagem que quer ser criada é escanteada para outras áreas, com nítidafragmentação e seletividade.
O fato é que muitas dessas empreitadas “revitalizadoras” vão contra os sentimentos dos cidadãos afetados, sendo uma séria ameaça às suas formas de vida social e à identidade urbana de cada um. Mas pouco, ou quase nada, pode ser feito para impedir que isso aconteça.
E o que os empreiteiros desses novos projetos urbanos ganham? O “renascimento esplendoroso” de uma áreacarrega fins claramente mercadológicos, a exemplo disso a cultura e o lazer se tornam mercantilizados, surgem pólos de atratividade turística geradores de renda, sempre com iniciativas que tendem ao consumo como forma para alavancar e desenvolver a economia.
Quanto maior a quantidade de atrativos de uma cidade, quanto mais imagens da utopia criada forem vendidas com as idéias de “renovada vidacultural e artística”, de “cidade harmoniosa” ou de “cidade sustentável” maior será o interesse internacional voltado para essa “mercadoria-cidade”. Assim, o potencial turístico e de investimentos da região crescerá absurdamente, trazendo vantagens e mais vantagens aos poucos que controlam e aos que desfrutam dessa “nova cidade”.
Não é preciso ir muito longe para achar exemplos de tudo isso que foicomentado. Basta fazer uma breve análise e comparação dos novos empreendimentos realizados na cidade do Recife.
Sobre a não preservação da história, cultura e identidade de um lugar por um projeto tipicamente característico de uma “cidade-modelo” o que vem em mente é o Novo Recife, pensado para uma revitalização na área do Cais José Estelita. Sem se preocupar com o valor histórico dos...
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