Resenha do texto de John Mearsheimer: The tragedy of great power politics

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  • Publicado : 26 de junho de 2013
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The tragedy of great power politics, John Mearsheimer
A corrente realista clássica de Morgenthau, entre outros, passou a encontrar divergências teóricas entre os próprios realistas a partir das décadas de 1980 e 1990, ramificando-se em duas vertentes principais, dos realismos defensivo e ofensivo.
O realismo clássico surgido no início do século XX, entre guerras mundiais, trouxe os traçosbásicos que mesmo após a separação metodológica do fim do século continua a delimitar a abordagem analítica teórica que se pode chamar de realista: Estados como os principais atores internacionais (e os únicos de verdadeira relevância), a balança de poder como a regra que impera no sistema internacional anárquico, que quando fora de equilíbrio leva inevitavelmente ao conflito, e a medição do poderdada em termos materiais, econômicos e, principalmente, militares. O elemento causal de toda esta ordem, para os clássicos, era a natureza humana hobbesiana por trás do aparelho estatal, que, na ausência de um leviatã em âmbito internacional, resulta na guerra de todos contra todos.
A partir da década de 1970 a principal mudança, que iniciou a renovação do realismo, foi a introdução do elementoestrutural à análise teórica, tendência advinda das ciências sociais. Ou seja, não mais era a natureza humana a razão do comportamento supracitado dos Estados, mas sim os fatores exógenos, as características do nível sistêmico em que eles se encontram inseridos. Sua configuração interna, portanto, em nada tem a ver com seu comportamento perante outros Estados, pois estando todos inseridos na mesmaestrutura, agirão todos conforme a mesma lógica. A política internacional torna-se variável independente.
Os novos realistas parecem concordar, porém, em pouco mais do que neste novo elemento causal e nas premissas básicas de sua vertente teórica. A principal separação que passa a existir é aquela entre as vertentes de Keneth Watlz e John Mearsheimer. O primeiro é o pai da vertente defensiva dorealismo. Nesta visão os Estados são maximizadores de segurança, e desejam tanto poder quanto for necessário para manterem-se seguros em sua posição no sistema, e não mais. Assim, são atores muito mais conservadores do que expansionistas, propensos à manutenção do status quo. A guerra é custosa, e, portanto, o conflito internacional, apesar de ser uma possibilidade, não configura umainevitabilidade, havendo preocupação por parte dos Estados com o longo prazo e havendo cenários possíveis de cooperação entre eles.
Mearsheimer, como coloca em sua entrevista, acompanhou a guerra contra o Vietnã, um dos momentos em que a Guerra Fria estourou do lado mais fraco e a balança de poder pareceu chegar perto demais de fraquejar, durante sua juventude, além de ter feito parte do exército americanopor anos. Ambos eventos claramente tiveram influência em sua visão de mundo e, consequentemente, em sua vertente teórica, considerada um refinamento do realismo clássico por sua maior proximidade de Morgenthau, e denominada realismo ofensivo. Apesar de concordar com Waltz quanto ao elemento causal estrutural, para Mearsheimer os Estados são maximizadores de poder, e quanto mais deste puderemobter melhor. A estrutura anárquica não constrange, em sua visão, a busca incessante pelo poder, como acontece na visão de Waltz. No realismo defensivo o excesso de poder, a busca pela hegemonia, não é desejável, uma vez que desequilibra a balança de poder e aumenta a possibilidade de outros Estados reagirem na tentativa de derrubar o mais poderoso e acabar com tal assimetria insustentável. Orealismo ofensivo discorda veementemente, pois parte da premissa de que na anarquia internacional o que impera é a incerteza sobre o dia de amanhã, e nunca se sabendo sequer com quem se poderá contar no longo prazo (uma vez que alianças e cooperação não são o estado natural para os Estados), está sempre no melhor interesse de cada Estado ter a maior capacidade material, e portanto poder, possível....
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