RESENHA DO LIVRO O MURMÚRIO DOS FANTASMAS, CAPITULO II "OS FRUTOS VERDES OU A IDADE DO SEXO" (BORIS CYRULNIK).

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  • Publicado : 23 de agosto de 2013
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Resenha do livro O murmúrio dos fantasmas, Capitulo II "Os frutos verdes ou a idade do sexo" (Boris Cyrulnik).

Narrar não é retornar ao passado
Narras para si mesmo é importante para compor a própria personalidade e isso provoca um prazer estranho. A evocação de momentos felizes provoca um retorno da felicidade. Lembrar-se de um momento doloroso provoca uma desconcertante emoção debem-aventurado pesar. Essa singularidade que permite compreender a função da narrativa interior: tornar a assumir a emoção provocada pelo passado e remaneja-la para torna-la uma representação de si intimamente aceitável.
Esse trabalho tem um efeito duplo: função de identidade – “Sou aquele que passou por estes e aqueles acontecimentos…”; e a função de remanejamento das emoções - “Agora consigo suportar aideia que não conseguia antes…”. A ação de narrar permite à pessoa se constituir em sujeito íntimo e a narração convida a assumir seu lugar no mundo humano compartilhando sua história. Após esta etapa, o paciente pode se olhar de frente e reintegrar-se à sociedade.
Narrar não se trata de retorno ao passado, pois isso é impossível. O locutor faz uma representação para si mesmo do real e partilhacom seus parceiros de cultura. O resultado é que as narrativas íntimas ou culturais podem construir no mundo psíquico o equivalente de apego seguro, quando os vínculos precoces foram mal formados.

Toda narrativa é uma ferramenta para construir seu mundo
Algumas pessoas com feridas graves na alma permanecem severamente ligadas ao passado, outras criam uma história interior necessária para asobrevivência psíquica, fragilizando a carapaça dos seus refúgios racionalizados. O acontecimento é aquilo que fazemos com o que nos acontece: um desespero ou uma glória.
A narração pode modelar a emoção de forma muito diferente segundo a atitude de quem escuta e o contexto cultural. O que não impede que a estrutura da narrativa do ferido revele o sentimento que experimenta. Mas a emoção de seumundo íntimo vem de fontes totalmente diferentes: sua própria sensibilidade juntamente com memórias pela afetividade dos próximos, o significado que atribuiu ao acontecimento e o sentido que lhe é atribuído por seu contexto cultural.
Quando alguém colhe uma narrativa, vê aparecer uma regularidade: a interpretação que você dá de um acontecimento insólito, fala na verdade, de seu contexto cultural.Uma narrativa é uma representação de atos sensatos, uma encenação de sequências comportamentais, uma organização de imagens reorientadas pelas palavras.
As narrativas podem ser reais ou imaginárias, sem que percam nada de sua força como histórias (Ibid, p. 58). Toda a narrativa é uma ferramenta para construirmos nosso mundo, se nos sentimos melhor quando podemos ver o que estamos fazendo nele, éporque a orientação, o sentido dado ao que percebemos, nos faz abandonar o absurdo para entrar no bom senso.


Debater-se e depois sonhar
Somos todos impelidos a realizar esse trabalho narrativo de nós mesmos para nos identificar e assumirmos um lugar em nossa cultura, mas algumas narrativas são difíceis. O devaneio permite preencher o mundo intimo com um sentimento provocado pela historia queinventamos, é um meio de proteção e para tornar-se resiliente, o devaneio deve acompanhar o ego.
Mas como inventar narrativas de um eu maravilhoso quando minha realidade é miserável? Nesse sentido a criatividade seria uma passarela de resiliência entre o devaneio que apazigua e um imaginário a ser construído, enquanto o fracasso da resiliência fabricaria uma mascara para a vergonha, simplesmentequando o real nos desespera, o devaneio constitui um fator de proteção.
Segundo o contexto, esse mecanismo de defesa pode ser construtivo ou destrutivo, pode considerar uma regra para toda criança ou pessoa que se encontra em situação difícil, reagir rebatendo-se e depois sonhando, testando cenas imaginarias.
Anna Freud falava das fantasias graças às quais a situação real é invertida, no...
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