Resenha do livro a loucura do trabalho – estudo de psicopatologia do trabalho

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  • Publicado : 26 de fevereiro de 2013
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DESENVOLVIMENTO

O autor aborda inicialmente em seu livro a estratégia defensiva através de dois casos: o subproletariado e o trabalho repetitivo. No primeiro ele se refere as pessoas marginalizadas, nessa coletividade a doença é vista como sinal de fraqueza a passividade, a pessoa só recorre ao médico em último caso, pois devido as condições financeiras e de sobrevivência da família a doençaaparece como um dificultador. Além disso, existe a possibilidade de serem diagnosticadas outras doenças que afetariam ainda mais o psicológico dessas pessoas. Por isso, criasse um ambiente que nega a doença para que se possam manter produtivos e vivos.
Atualmente, notamos um agravamento da ideologia defensiva apresentado por Dejour no caso do subproletariado. As mudanças sociais, econômicas e noambiente organizacional ocorridas nos últimos anos ampliou o que foi descrito para a classe marginalizada para as outras classes.
Richard Sennett, no livro A corrosão do caráter, apresenta um novo contexto organizacional cada vez mais competitivo, numero de pessoas capacitadas crescendo em escala maior que a oferta de emprego, onde o ganhador leva tudo, discrepância crescente entre os salários dosempregados capacitados e os de base aliado com a competitividade faz com que os eleitos saiam com tudo, sobrando “as migalhas” para o resto; levam o medo da incapacidade às outras classes, perder o emprego para quem o substituiu em uma licença médica.
Outros fatores atuais também aumentam esse medo, as constantes mudanças forçam as pessoas a estarem em constante treinamento, a preferencia dasempresas em optarem por pessoas mais novas, os “maus olhos” dos gerentes para as licenças que aumentam os custos e o crescente custo familiar que leva a todos os capazes a produzirem algo para aumentar a renda familiar.
Todas essas mudanças acabam gerando distúrbios em todo o ambiente familiar, pais cada vez mais ausentes, tendo que se preocupar com o trabalho e sua manutenção constante.
Nosegundo caso, o autor destaca as mudanças ocorridas com a implantação do sistema taylorista, trabalho realizado em uma linha de montagem com cada pessoa realizando pequenos movimentos em tempos cronometrados, essa mudança acarretou o fim do uso intelectual no trabalho e suas possíveis consequências para a vida psíquica são explicadas no livro.
O estudo da psicologia do trabalho entra ao tentarexplicar o que acontece com a vida psíquica do trabalhador se for retirado sua atividade intelectual, explicado através do exemplo da torre Eiffel. As estratégias defensivas podem ser utilizadas pela organização do trabalho para aumentar a produtividade, porém é necessário saber se a exploração do sofrimento e do medo pode causar repercussões na saúde do trabalhador da mesma forma que a exploração daforça física. O medo e o risco também trazem consequências para a saúde mental do trabalhador, o sofrimento mental e a fadiga são proibidos de se manifestarem em uma fábrica, somente a doença é admissível.
Essa organização do trabalho causa uma fragmentação somática porque pode impedir o trabalhador de adequar o modo de trabalho às suas necessidades, e esse desequilíbrio tão maior quanto suacapacidade de mentalizar.
Segundo Dejours os sofrimentos dos trabalhadores produzem basicamente dois efeitos negativos: insatisfação e ansiedade (ou medo). Os trabalhadores referem-se sempre a indignidade operária devido às tarefas desinteressantes e desestimulantes, ao sentimento de inutilidade e a falta de finalidade do trabalho. Esses sentimentos fazem com que os trabalhadores fiquem depressivos edominados pelo cansaço, não necessariamente proveniente dos esforços físicos, mas da falta de significância do sujeito em relação ao objeto. Outro ponto que o autor se refere em seu livro é a busca incessante do homem por aquilo que lhe traga satisfação, e onde isso não é possível a insatisfação aflora e determina o começo do sofrimento.
Durante o livro, o autor apresenta a quebra das defesas...
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