Resenha do livro : “pedagogia da esperança. um reencontro com a pedagogia do oprimido”.freire, paulo (1992). pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. rio de janeiro: paz e terra, 245 p.

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PAULO FREIRE

PEDAGOGIA DA ESPERANÇA

Um Reecontro com a Pedagogia do Oprimido
Notas de Ana Maria Araújo Freire

PAZ E TERRA

©Paulo Freire Preparação: Ana Maria O. M. Barbosa Revisão: Celso Donizete Cruz e Sandra Rodrigues Garcia Capa: Isabel Carbalho

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Freire, Paulo, 1921 – Pedagogia da Esperança:Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido / Paulo Freire. – Notas: Ana Maria Araújo Freire Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

1. Educação 2. Pedagogia 3. Sociologia Educacional I. Título

92-3159 Índices para Catálogo Sistemático 1. Educação (370) 2. Pedagogia (370)

CDD- 370

Direitos Adquiridos pela: EDITORA PAZ E TERRA, S.A. Rua do Triunfo, 177 01212 - São Paulo - SP Tel.: (011)223-6522 RuaDias Ferreira nº 417 – Loja Parte 22431-050 – Rio de Janeiro – RJ Tel.: (021) 259-8946

1997

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

A Ana Maria, Nita, Que me devolveu o gosto bom de viver, quando a vida Me parecia tão longe e, quase sem esperança, a olhava!

Paulo

A memória de Armando Neves Freire, bom irmão, Amigo bom.

Paulo

A Stella Bruno Silvia Temistocles e Reinilda Com um grandefraterno,

Paulo

A Genove Araújo adolescentemente esperançosa aos 90 anos, a quem jamais pago o que devo, carinhosamente,

Paulo

A Zé de Melo e Dora, Por um sem número de razões, com meu abraço amigo.

Paulo

Primeiras Palavras
Quando muita gente faz discursos pragmáticos e defende nossa adaptação aos fatos, acusando sonho e utopia não apenas de inúteis, mas também de inoportunos enquanto elementos quefazem necessariamente parte de toda prática educativa desocultadora das mentiras dominantes, pode parecer estranho que eu escreva um livro chamado Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Para mim, pelo contrário, a prática educativa de opção progressista jamais deixará de ser uma aventura desveladora, uma experiência de desocultação da verdade. É porque sempre penseiassim que, às vezes, se discute se sou ou não um educador. Foi isto que, recentemente, ocorreu em um encontro realizado na UNESCO, em Paris, me disse um dos que dele participaram, em que representantes latino-americanos negavam a mim a condição de educador. Não a eles, é óbvio. Criticavam em mim o que lhes parecia minha politização exagerada. Não percebiam, porém, que, ao negarem a mim a condição deeducador, por ser demasiado político, eram tão políticos quanto eu. Certamente, contudo, numa posição contrária à minha. Neutros é que nem eram nem poderiam ser. Por outro lado, deve haver um sem-número de pessoas pensando como um professor universitário antigo meu que me indagou, espantado: "Mas como, Paulo, uma Pedagogia da esperança no bojo de uma tal sem-vergonhice como a que nos asfixiahoje, no Brasil?” É que a "democratização” da sem vergonhice que vem tomando conta do país, o desrespeito à coisa pública, a impunidade se aprofundaram e se generalizaram tanto que a nação começou a se pôr de pé, a protestar. Os jovens e os adolescentes também, vêm às ruas, criticam, exigem seriedade e transparência. O povo grita contra os testemunhos de desfaçatez, As praças públicas de novo seenchem. Há uma esperança, não importa que nem sempre audaz, nas esquinas das ruas, no corpo de cada uma e de cada um de nós. E como se a maioria da nação fosse tomada por incontida necessidade de vomitar em face de tamanha desvergonha. Por outro lado, sem sequer poder negar a desesperança como algo concreto e sem desconhecer as razões históricas, econômicas e sociais que a explicam, não entendo aexistência humana e a necessária luta para fazê-la melhor, sem esperança e sem sonho. A esperança é necessidade ontológica; a desesperança, esperança que, perdendo o endereço, se torna distorção da necessidade ontológica. Como programa, a desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo. Não sou esperançoso por...
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