Resenha do livro pedagogia da indignação de paulo freire

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  • Publicado : 25 de abril de 2011
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RESENHA[1]

Ana Cristina Cardoso Nunes[2]

FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000. mimeo.

De acordo com o site Sua Pesquisa, Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife, em 1921 e faleceu em São Paulo, em 1997. Foi educado pela mãe e desde a adolescência mostrou-se interessado em língua portuguesa. Cursou Direito, mas nuncaexerceu a profissão, preferindo atuar como professor. Sua paixão pela educação intensificou-se quando começou a trabalhar com adultos, em 1946, quando foi indicado ao cargo de diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social em Pernambuco. Por ocasião de seu envolvimento com as causas pedagógicas e por meio de suas obras, Paulo Freire, ainda hoje, é considerado um importante educador,consagrado no mundo inteiro como um inovador na alfabetização para jovens e adultos. Entre suas obras, destaque especial para: Educação como Prática da Liberdade (1967), Pedagogia do Oprimido (1970), Educação e Mudança (1979), A importância do ato de ler (1982), Pedagogia da Esperança (1992), À Sombra desta Mangueira (1995), Pedagogia da Autonomia (1997), e Pedagogia da Indignação (2000) – editadoapós sua morte.

Esta obra é dividida em duas partes. Na primeira, há três cartas pedagógicas em que o autor faz um desabafo de questões que o vem incomodando referente à educação e ao modo de educar. Na segunda, outros desabafos sobre assuntos que também orientam e interferem na educação e na construção crítica e ativa do sujeito.
Pois bem, para começo de registro, segundo oautor, como estamos vivendo em um tempo de transformações, precisamos desenvolver a capacidade crítica frente à inteligência do novo para compreender os jovens e os adolescentes. Capacidade crítica para lidar e saber que nem sempre o que nos espanta ou incomoda deve ser desvalorizado uma vez que a cultura e a história também sofrem transformações, são móveis. E as revoluções tecnológicas contribuempara acelerar estas mudanças porque encurtam a distância entre uma mudança e outra.
O que faz a cultura e a história é a inovação, a criatividade, a curiosidade, o exercício da liberdade (deve-se optar por liberdade com responsabilidade) que se for negada merece que lutemos por ela mesmo que isso implique correr riscos. Uma das finalidades da educação, apontada por Paulo Freire, é criar nosujeito a consciência de que sua presença no mundo é sempre um fator de risco, e isto não é ruim. É por meio da educação que o sujeito ao invés de negar o risco, assume-o para assim poder lutar eficazmente pelo que acredita e tornar-se cada vez mais consciente de sua capacidade de intervenção no mundo. É a educação que concebe o sujeito conhecedor de que a mudança faz parte das experiênciasculturais, mas é dada a cada sujeito a liberdade de tentar entendê-la e assim aceitá-la ou negá-la tendo, aí, o cuidado de não se acomodar e também de não agir sem causa, por impulsos emocionais.
De acordo com o autor, para o oprimido a acomodação é a desistência da luta, o que é o mesmo que desistir de lutar para transformar o mundo. Os que se acomodam não querem correr riscos e julgam impossívelbrigar permanentemente por justiça e ética. Então, deixam-se dominar por quem vê nesta acomodação mais uma oportunidade de lucrar. Aí entra o papel do educador progressista numa tentativa de impedir que esta situação continue. Neste sentido o alfabetizador deve assumir o compromisso de ensinar a leitura e a escrita de acordo com a realidade do educando, a partir da leitura que este tem e deve terdo mundo.
Na segunda carta, nota-se mais uma vez o empenho do autor em lembrar-nos de algo que sabemos mas que às vezes parecemos nos esquecer: o fato de que somos sujeitos e objetos da história e que, portanto, podemos mudar o mundo desde que, é claro, tenhamos consciência de que isso, embora difícil, é possível. Precisamos para esse fim, ter sonhos (com raízes), utopias e projetos....
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