Resenha do livro no reino do desejado

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  • Publicado : 1 de junho de 2012
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No Reino Do Desejado
A Construção do Sebastianismo em Portugal
séculos XVI e XVII

Jacqueline Hermann é Doutora pela Universidade Federal Fluminense e Pós-Doutora pela Universidad Complutense de Madrid, pertencente ao grupo de historiadores que dando seguimento aos trabalhos iniciados por Laura de Mello e Souza, vão pensar a história através das mentalidades, sendo dessa forma que a autoranos da a discrição do mito sebastianistico, trazendo uma análise da vida e morte de D. Sebastião, fazendo o uso do confronto entre as várias abordagens que a vida deste personagem já foi acometida e acrescentando uma visão ampla através da forma de ver o mundo do tempo em que se passa os acontecimentos.
Ficando claro a nós a preocupação da autora em contextualizar o Rei no seu quadro socialvigente tentando desta forma fugir dos anacronismos e mesmo das paixões que possam surgir na interação com o tema, alias como o próprio nome diz este é o Rei desejado e portanto não é difícil expressar em sua história os desejos, as angustias e os ressentimentos que tenham ficado após o desastre de Alcacer-Quibir, assim como podemos dizer um certo Jesus que foi crucificado em Jerusalém deixou seusseguidores de tal forma recentidos ao ponto de não mais acreditar em sua volta, como São Tomé nos diz “eu preciso ver para crer”.
Ora essa comparação um tanto anacrônica, nos põe em contato direto com o mito do sebastianismo, pois foi justamente isso que muitos esperaram a volta do Rei que fora tão desejado, contudo o passar do tempo e a dominação filipina vai transformando o Rei desejado em o Reique deu errado, era como se Jesus não tivesse ressuscitado(é claro levando em consideração apenas essas passagens como forma de comparação sem a menor intenção de se por a favor ou contra a qualquer questão de ordem religiosa).
Nesse sentido o distanciamento histórico de nossa inter-locutora muito nos ajuda para trazer uma maior lucidez aos acontecimentos, visto que tanto as análises produzidasno calor do momento quanto a do século das luzes estão imbuídas de uma contaminação pelo contexto vigente enormemente.
Não que uma pessoa seja capas de se distanciar totalmente do seu estado presente, contudo quando neste se enxerga facilmente sinais do tempo histórico a ser estudado a dificuldade de não ser anacrônico é muito maior.
Nossa abordagem iniciada por este diálogo entre asinterpretações nos leva a refazer o caminho da autora de forma um tanto diversa, mas contudo sem fugir do mesmo.
Nosso primeiro passo é portanto ver que as influências diretas recebidas pelo jovem príncipe, são sem dúvida importante, contudo o que é mais importante as conversas diárias ou contato constante com uma realidade que fala até mesmo através das pedras para se seguir uma direção é obvio que cadaescolha na vida vai nos guiar a um rumo e que um passo poderia ter levado o jovem Rei a ficar isolado em Lisboa em um longo reinado, alias como tinha sido o de seu avô, contudo colocar a culpa pelos rumos de seu reinados nos jesuítas seus confessores e mestres é esquecer de toda a conjuntura e simplificar o contexto, como a autora nos diz “Mais que a Idéia fixa ou a influência nefasta dosJesuítas, o retorno ao projeto do norte da África fazia parte tanto da cultura popular[....]como da cultura letrada” e em outra passagem ainda lemos, “apesar de se dizerem, “soldados de Cristo”, a Companhia de Jesus, jamais teve por principio uma pregação partidária de Guerras Medievais à moda cruzadística[...]tinham por objetivo ganhar as almas para a cristandade e não resgatar lugares santos” , atravésdessas passagens vemos que a autora não tem por objetivo simplificar e sim discutir.
Caminhando então nessa discussão, vemos ainda no fragmento do texto que o desejo da reconquista era de se não toda a população da maioria dela, as divergências poderiam se dar na forma de se fazer, mas o desejo era o mesmo e passava a ser muito mais do que retomar o Marrocos e se infiltrar cada vez mais em...
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