Resenha do livro ler e compreender

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  • Publicado : 16 de abril de 2013
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LER E COMPREENDER: OS SENTIDOS DO TEXTO
Ingedore V. Koch e Vanda Maria Elias
São Paulo: Contexto, 2006 ( 216 páginas)
 
RESENHA
Partindo da concepção de que o texto é lugar de interação de sujeitos sociais que nele se constituem e são constituídos dialogicamente, Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias, no livro Ler e Compreender: os sentidos do texto, (Editora Contexto,216páginas) apresentam, de uma forma objetiva e didática, as estratégias utilizadas pelo leitor no processo de leitura e construção de sentidos. A leitura do livro confirma que as autoras conseguem, com eficiência, atingir os objetivo de preencher uma lacuna no mercado editorial, com uma obra que, além de discutir as principais teorias da lingüística textual, estabelece uma ponte destas teorias com a prática deensino de leitura e que interessa aos professores da área do ensino de línguas de todos os níveis de ensino.
Dividido em nove capítulos, o livro inicia discutindo as concepções de sujeito, língua, e texto que estão na base das diferentes formas de se conceber a leitura.As autoras vão se situar na concepção interacional e dialógica da língua, que compreende os sujeitos como construtores sociais quemutuamente se constroem e são construídos através do texto, considerado o lugar por excelência da constituição dos interlocutores. Nessa concepção a leitura é entendida como atividade interativa de construção de sentidos. Para isso é ressaltado o papel do leitor enquanto construtor do sentido do texto, que, no processo de leitura, lança mão de estratégias como seleção, antecipação inferência everificação, além de ativar seu conhecimento de mundo, na construção de uma das leituras possíveis,já que um mesmo texto admite uma pluralidade de leituras e sentidos. A leitura, além do conhecimento lingüístico compartilhado pelos interlocutores, exige que o leitor, no ato da leitura, mobilize estratégias de ordem lingüística e de ordem cognitivo-discursivas
A ativação das estratégias de leituraimplica a mobilização de três grandes redes de conhecimento: o lingüístico, o enciclopédico e o interacional.É essa rede de conhecimento que permitirá ao leitor interagir com textos de gêneros variados de acordo com o contexto e seus objetivos de leitura.Neste aspecto as autoras dedicam todo um capítulo à discussão do papel do contexto no processo de leitura e produção de sentidos.A concepção decontexto é um dos pontos centrais da Lingüística textual. Inicialmente as pesquisas sobre o texto consideravam o contexto apenas como o entorno verbal do texto, o co-texto. Com a Teoria dos Atos de Fala e a teoria da Atividade Verbal passou-se a levar em conta o contexto sóciocognitivo como necessário para que se estabeleça a interlocução entre duas ou mais pessoas. Assim, o contexto englobará não só oco-texto, como também a situação de interação imediata a situação mediata e o contexto cognitivo dos interlocutores.
            O que se infere dessa discussão  é que uma mesma expressão lingüística pode ter seu significado alterado em função dos fatores contextuais. Resulta,então, que falar de discurso implica   considerar fatores externos à língua para se entender o que é dito.No conjunto deconhecimento constitutivos do contexto a noção de intertextualidade é destacada pelas autoras que dedicam todo o capítulo 4 para tratar desta questão, vez que este é um dos grandes temas da Lingüística Textual. A intertextualidade é elemento constituinte e constitutivo do processo de leitura e escrita e se refere às diversas maneiras pelas quais a produçãorecepção de um texto depende doconhecimento de outros textos por parte dos interlocutores.O conhecimento intertextual é que permite ao leitor perceber como um texto está sempre se relacionando com outros textos, numa relação que pode ser explícita ou implícita, tanto no que se refere à sua forma quanto ao conteúdo.
            A noção de gênero textual é objeto de discussão do 5º capítulo do livro. A partir da noção de gênero...
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