Resenha do livro: carneiro, maria luiza tucci. livros proibidos, idéias malditas: o deops e as minorias silenciadas.

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  • Publicado : 9 de outubro de 2011
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CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Livros Proibidos, Idéias Malditas: o DEOPS e as minorias silenciadas. 2ª Ed. ampl. – São Paulo: Ateliê Editorial, PROIN – Projeto de Integração do Arquivo do Estado / USP; FAPESP, 2002

A historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, em Livros proibidos, Idéias Malditas, mostra como o Estado republicano, foi responsável pela mutilação da cultura nacional interferindo,negativamente na construção da cidadania brasileira. O Estado, censor por natureza, utilizou-se da violência física e simbólica, para coibir a produção intelectual do país, proibindo a circulação e efetivando a apreensão de livros em todo o país.
O Estado utilizou-se de todo o aparato policial representado na figura do Departamento Estadual de Ordem Política e Social o DEOPS, órgão criado em1924 e que foi extinto em 1983, cujo objetivo era sustar a propagação de idéias revolucionárias. Endossando o discurso ordenador e saneador do regime oficial, exerceu uma das mais expressivas formas de controle sobre as atividades clandestinas de intelectuais, gráficas, editoras e livreiros do país.
As autoridades policiais buscaram purificar a sociedade, por meio da censura preventiva e punitiva,cujo objetivo era impedir a circulação de “idéias perigosas”. Neste sentido, até os anos 1980, os livros apreendidos eram considerados provas materiais da “trama articulada contra o regime”. Deste modo, a destruição de livros pelo DEOPS, processava-se em etapas distintas, onde primeiro proibia-se a sua circulação, seguidos pela apreensão e destruição de todos os seus exemplares.
Durante ogoverno Vargas (1930-1945) a purificação ideológica atingiu todo o país, e livros perigosos foram caçados em todo o território nacional. Tucci Carneiro afirma que foi durante os anos 1930 e 1940 que a censura se processou “enquanto fenômeno da história cuja delimitação, uso e introjeção emerge, interligada ao conceito de criminalidade política”.
O governo estadonovista buscava deste modo, ahomogeneização em todos os níveis sociais, de forma a facilitar sua dominação investindo num discurso ordenador e saneador. Desta forma o Estado gerenciou o universo simbólico dos variados grupos sociais, mantendo-os alienados e conformados. Neste contexto é que a Polícia Política Federal (DOPS) assumiu um papel fundamental no processo de domesticação das massas, silenciando aqueles que eram“potencialmente perigosos”.
A radicalização da censura influenciou a criação de uma literatura e imprensa alternativas, que se viam obrigadas a “circular nos subterrâneos da sociedade”. Deste modo, intelectuais e jornalistas foram os “porta-vozes dos interesses do povo e os defensores da verdade.”
Após a consolidação da revolução liberal em 1930, acreditava-se que a liberdade de expressão faria parte doprojeto Varguista, no entanto, este tema não passou nem perto da plataforma da Aliança Liberal. Nas constituintes de 1934 e 1937, ficou claro que não seriam toleradas idéias que subvertessem a ordem política e social. A censura foi oficialmente instaurada em 1937 com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP, multiplicando- se as ordens repressoras e mutilando ainda mais a culturanacional.
Contudo, os atos repressivos da polícia política paulista alimentaram ainda mais a resistência, tanto na ditadura Varguista como na ditadura militar pós – 1964. Os jornais alternativos alimentavam os movimentos de resistência, tanto de esquerda como de direita. Entre 1934 e 1937, os órgãos repressores fecharam o cerco aos comunistas que, após a fundação da Aliança Nacional Libertadora,reunia membros comunistas de diversas vertentes. A militância era incrementada através da propagação de obras antifascistas e antiimperialistas.
Após 1939 as editoras ficaram entre “dois fogos repressores: o DOPS e o DIP, que apoiados pelas sessões estaduais garantiam a caça aos livros proibidos”. Com a ditadura militar em 1964, as atividades da polícia política foram reorientadas pelos...
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