Resenha: de que sofrem as mulheres professoras?

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  • Publicado : 2 de agosto de 2012
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Título: “De que sofrem as mulheres-professoras?”
Autor(a): Margareth Diniz
Referências bibliográficas: * A psicanálise escuta a educação/Eliane Marta Teixeira Lopes, organizadora
Aluna: Solange Maria Gassen – PEDAGOGIA PARFOR (Tuma 3)

Resenha:
De acordo com a ideologia da sociedade, de atribuição do espaço doméstico à mulher como consequência de sua capacidade de ser mãe, é natural que ela sededique aos afazeres domésticos, que ela dê a luz, assim como é natural que ela seja professora. E pesquisas sobre magistério, a partir dessas leituras, tentam explicar o porquê da feminização desse campo.
Em uma vertente aparece o ato de ensinar como apenas um desdobramento de uma atividade naturalmente praticada, fazendo do magistério um espaço para o aprimoramento de características naturaisdo ser feminino: o cuidado, o ensinamento e a lida em geral com as crianças. Já em outra vertente, o magistério é considerado local de trabalho das mulheres, contribuindo para sua politização, alterando relações em movimentos sindicais, partidários e feministas para manter conquistas significativas (longe ainda da igualdade de direitos que se busca).
Historicamente, compreende-se que a expansão daorganização social, política e cultural do país, as alterações sócio-político-econômicas, os pressupostos teóricos de cunho bio-psicológico acabaram por atribuir à mulher as características essenciais à prática pedagógica, como sensibilidade, compreensão, afetividade, tomadas como constituidoras de uma natureza adequada ao magistério. A perspectiva que considera a proximidade do trabalho emeducação com o fato da mulher ser mãe tem reflexos nas questões salariais, considerando seu salário complementar ao do homem, sendo o magistério considerado um emprego temporário e mais flexível, por permitir o arranjo entre as tarefas domésticas e as profissionais.
Outro aspecto que merece consideração é a escolha profissional pelo magistério, na maioria das vezes subordinada às contingências econdições socioeconômicas das professoras e de seus familiares, que não favorece a construção de uma identidade profissional.
Questões que dizem respeito à especificidade do “ser mulher” não tem se constituído em objeto de pesquisas no campo educacional, constatando-se que as questões da subjetividade nas pesquisas e estudos realizados ainda se mostram bastante distantes de um maior aprofundamento.
Épreciso considerar a possibilidade de uma releitura dos saberes sócio-histórico-culturais já constituídos sobre a mulher e como determinadas representações culturais incidem sobre seus desejos, procurando no seu discurso e nas ações cotidianas respostas para suas escolhas, definições e posturas pedagógicas.
A teoria psicanalítica, em sua concepção sobre a mulher, faz um contraponto com asleituras apresentadas anteriormente, ocupando-se de uma instância que vai além do aparente. E considerando essa subjetividade da mulher-professora destaca-se um profundo mal-estar, manifestado cotidianamente em suas queixas: falta de condições materiais para a execução do trabalho, pequena oportunidade para capacitação profissional, dificuldade em lidar com os alunos, questão salarial, questão familiar,dificuldades no aprendizado do aluno e indisciplina, entre outras. A professora vive uma relação de ambiguidade com o aluno, a relação com o trabalho pedagógico é bastante complexa e o mal-estar manifesto gera ausências ao trabalho, justificadas por atestados médicos, que registram queixas de “diarreia, vômito, dores na nuca, na cabeça, na coluna, nas costas, dormência nas mãos, irritabilidade,choro fácil, depressão, ansiedade, insônia”. A queixa da dona de casa e a da professora acabam por tornar-se muito semelhantes e enquanto permanecem no discurso da queixa tornam-se impotentes e paralisadas diante de uma possível mudança de posição.
Segundo Freud, a civilização é construída sobre a renúncia ao instinto e essa desistência à satisfação de um instinto tem seu preço. Se o ser...
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