Resenha da obra “a resistencia da mulher à ditadura militar no brasil"

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  • Publicado : 31 de março de 2012
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RESENHA DA OBRA “A RESISTENCIA DA MULHER À DITADURA MILITAR NO BRASIL”.*
ELLEN SANTOS DE CHRISTO


Nesta obra Ana Maria Colling vai sair do tradicional que seria escrever a resistência à ditadura militar, uma história tradicionalmente de homens, e escreve como se dava a vida de uma militante, o seu papel dentro das organizações de esquerda e diante de seus agressores. Para melhorexplicar à resistência feminina, a autora começa descrevendo o contexto da ditadura, para isso ela faz um recorte temporal, que vai de 1964 até 1979, quando foi declarada a anistia. Ela se reporta a esse período, pois seria a fase onde a ditadura foi mais rígida, marcada por torturas, perseguições e mortes.
Em 1968, conhecido também como o ano de chumbo, cria-se o AI-5. Foi uma maneira da ditaduratomar forma, ficar mais rígida, torturar e matar mais pessoas de uma forma “legal”. Nesse momento fecha-se o congresso e passa-se por cima dos direitos dos cidadãos. A autora destaca que essa escolha militar se deu no intuito de desenvolver e conseguir fazer do Brasil “uma potência reconhecida mundialmente”. Para esse feito as portas do país foram abertas para grandes multinacionais e associados,levando em conta a sovinice tecnologia e de capital do país. Porém o ano do milagre econômico no Brasil foi o mais despótico de todo o movimento militar então organizado.
O papel da esquerda nesse momento vai ser de grande importância, pois vão pressionar e se portar de maneira mais agressiva diante dessa nova ordem. Frente à ditadura militar as organizações partidárias multiplicavam-se, novasdissidências apareciam, se afastando uma das outras no campo das estratégias. A maioria adotou pela via da violência como única forma de redemocratização do país, como exemplo a ALN, PCdoB, VPR, entre outros. Excluindo-se dessa linha estava o PCB, que optou pela via pacífica para se chegar novamente a uma abertura democrática e ao socialismo. Outra forma de oposição ao regime se deu pelos estudantesque também foram perseguidos e o movimento feminista, que aparece no Brasil em meados dos anos 60. Segundo Colling as mulheres viraram o “jogo” e ganharam a liberdade. Mas algumas trocaram essa liberdade pela luta, tornaram- se subversivas aos olhos dos ditadores.
Para afetar as militantes os militares usavam da moralidade, ainda conservadora, da maioria da sociedade. A autora exemplificoumuito bem quando cita a prisão dos estudantes no Congresso da UNE em Ibiúna onde os policiais mostravam caixas de anticoncepcionais apreendidas, tentando provar a sociedade que as moças tinham ido ao encontro “preparadas para algo a mais” ao invés de discutir as questões estudantis e políticas. As mulheres tinham que se defender então das agressões físicas e morais.
No decorrer do livroAna Maria explica o porquê das mulheres entrarem para militância, essa explicação é feita através de entrevistas. Ela destaca a importância do momento para as mulheres, dês da sua entrada no mercado de trabalho, na universidade, mas principalmente como agente político, passa ter mais consciência política.
A partir daí, a autora afirma que a decisão de entrar para política expressa a vontadedas mulheres de se tornarem personagem principal da luta contra esse novo regime e na sua própria vida. Na maioria das vezes elas entram na militância ainda jovens, a partir dos movimentos estudantis e depois se filia em algum partido político. É importante ressaltar que nesse momento todos os partidos de esquerda estavam na clandestinidade, e por isso o risco de serem presas era ainda maior. Como intuito de prender as militantes, chegavam com metralhadoras, ameaçavam seus familiares. Quando presas muitas eram levadas para presídios, depois de serem torturadas psicologicamente e fisicamente. Eram transferidas de tempo em tempos, as condições eram diferentes em cada uma delas. Enquanto em uma ela podiam brincar de Lego, e ver novela, em outras ficavam presas em celas fechadas, as camas...
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