Resenha: aristocratas x burgueses

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  • Publicado : 21 de abril de 2013
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Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História
Aluno: Thiago Rogério Bezerra de Souza
Profª: Suzana Cavani
Disciplina: História Contemporânea I
Turno: 5º período/Tarde

RESENHA DO LIVRO: ARISTOCRATAS VERSUS BURGUESES? A REVOLUÇÃO FRANCESA

CAP. 1 - INTRODUÇÃO
Desde as primeiras palavras do livro “Aristocratas Versus Burgueses? ARevolução Francesa” o autor demonstra as controvérsias e divergentes interpretações existente entre os historiadores que pesquisam a respeito da “maior revolução da história do mundo”.
Para o historiador Blanning, que mantém seus princípios metodológicos ligados à historiografia revisionista, muitos “mitos” foram criados em torno da revolução francesa e precisam ser rediscutidos.
O cerne de suaobra esta na alegação de que a revolução de 1789 não foi uma “Revolução Burguesa”. De diversas maneiras e analisando vestígios daquele evento histórico se percebe a frágil participação da classe burguesa diante de uma revolução muito mais complexa que envolvia fundamentalmente outros setores da sociedade francesa, como a nobreza e os camponeses.
A ascendente classe Burguesa vivia de fato umacontradição na frança feudal do fim do século XVIII. Sua importância econômica e comercial, tal como sua riqueza não se desenvolviam em paralelo com sua importância social. O monopólio dos privilégios classistas residiam na tradição do primeiro e segundo estados. Concomitante era notável as regalias tributárias das quais gozavam estas elites que eram mantidas pelos impostos pagos pelo terceiro estado esobretudo a burguesia comercial.
Todavia a supervalorização da atuação da classe comercial francesa na revolução vai ser combatida durante a obra revisionista. Em certo momento do texto é citado a seguinte passagem,
“ Se os burgueses a tivessem feito por conta própria, a revolução teria se encerrado, no mais tardar, em 1791. Foi somente a pressão insistente de baixo que os levou a destruir ofeudalismo em sua totalidade” Pag. 7. T.C.W.Blainning.
Para Blainning, a obra Aspects of The French Revolution(1968) do falecido historiador Alfred Cobban da University College de Londres, foi a responsável pela criação do mito da revolução burguesa. Questiona inclusive o autor, como controvérsias tão profundas na análise das origens, natureza e consequências da revolução perduram durante tantotempo na literatura a cerca do tema.
É notável como a burguesia não anexava aos seus valores uma cultura revolucionária em contra partida as antíteses existentes na sociedade feudal francesa. Para a maioria dos burgueses o sucesso social ocorre a partir do momento que ele compra seu título de nobreza. De tal forma que ao invés de uma luta de classes que desembocassem em um conjunto de revoltas civisviolentas, ocorria uma convergência entre as classes burguesa e nobreza. Sendo os primeiros tendenciosos ao enobrecimento e os últimos ao aburguesamento.
Durante o próprio ato revolucionário por pelo menos duas vezes a burguesia demonstra suas intenções reacionárias em contraste as aspirações igualitárias e democráticas da classe camponesa e urbana pobre.
“Sempre propensos ao compromisso com aordem antiga, sempre visando frustar as aspirações genuinamente igualitárias democráticas das massas, à medida que o tempo passava permitiram que seus interesses de classe se mostrassem nus através da roupagem cada vez mais reveladora da retórica revolucionária. Um certo estágio crucial deste strip-tease ideológico foi alcançado com o glpe de estado do Termidor, em julho de 1794, quando foiderrubada a ditadura revolucionária do comitê de salvação nacional. Um outro foi um recurso a um salvador militar na figura do general Bonaparte em 1799”. Pag.8. T.C.W.Blainning.
Portanto, trata-se de um mito tratar a revolução francesa como burguesa diante das características essencialmente conservadoras que esta classe apresenta.
Certamente a relativa harmonia entre os grupos nobre e burguês e...
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