Resenha: 50 dias a borde de um navio negreiro

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CAMPUS CATALÃO
CURSO: HISTÓRIA (LICENCIATURA E BACHARELADO)
DISCIPLINA: HISTÓRIA BRASIL II
PROFESSORA: DR. GETÚLIO NASCENTES DA CUNHA
ALUNO: MARCOS VINÍCIUS DA SILVA

CINQUENTA DIAS A BORDO DE UM NAVIO NEGREIRO

CATALÃO
DEZEMBRO (2012)
Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro
Quando contemplamos a história do nosso país por um todo, podemos identificar certos pontos que se destacamdentre os vários fatos históricos, um deles é a questão escravocrata no Brasil. Se analisarmos a história mundial, podemos evidenciar que a escravidão era quase um bem comum de toda sociedade, claro que cada uma com sua particularidade, mas sabemos que desde a antiguidade o homem vem exercendo essa pratica ao longo do tempo. Nosso país é conhecido por sua vasta pluralidade de etnias, somosconstituídos por índios, negros, italianos... Uma realidade incontestável presente em nosso sangue. Nesse texto pretendo abordar especificamente a questão do escravo em seu contexto geral, ou melhor, o contrabando de escravos que ocorria no séc. XIX. É uma triste realidade, mas inegável a história da humanidade, construímos nossas nações escravizando nações menos desenvolvidas, é uma mancha de sanguedentro do nosso processo historiográfico.
A obra aqui resenhada é basicamente um livro de bordo escrito em 1843 por Pascoe Grenfell Hill intitulado: Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro; Pascoe era um tripulante da expedição, sacerdote da igreja Anglicana, o que fica clara a visão anglo-cristã do autor diante os fatos. Outro fator primordial para a compreensão dos escritos é entender, que noperíodo que o livro é retratado era exatamente o período em que o contrabando já tinha sido abolido em vários países, a própria expedição era na busca de navios que ainda praticavam o contrabando. Pascoe relata minimamente sua viagem, desde as chegadas e partidas, até a forma infernal que era esses navios negreiros. Partindo destes aspectos, resenho aqui esse relato primordial para a compreensãodo contrabando de escravos ocorrido no séc. XIX.
“Os cativos tornavam-se formalmente livres, mas não podiam ser levados de volta aos portos de embarque, porque ali seriam reescravizados e de novo vendidos. Se deixados em outros pontos da costa, estavam fadados a sofrer o mesmo destino nas mãos dos grupos que viviam na vizinhança, ou não saberiam os caminhos para as suas aldeias de origem, muitasvezes a centenas de quilômetros do litoral. Não era improvável, aliás, que essas não mais existissem destruídas pelas guerras ou pelas razias em que haviam sido preados. Ser conduzido para os porões de uma embarcação negreira era, com raríssimas exceções, o começo de uma viagem sem retorno, na qual se perdia para sempre o lar, a família, a linhagem e a pátria.” (HILL, 2006. Pg. 9)
Pascoe começarelatar sua viagem a partir do Rio de Janeiro, de onde ele partiria para África em 1846, nesse relato podemos destacar seu encantamento com as terras tropicais, inicialmente ele nos traz sua admiração pela paisagem Carioca, logo a sociedade que pra ele era interessante pela mistura de diferentes tribos e “raças”, em um dado momento ele mostra um dado interessante, pois a maior parte da população seconstituía de negros; falando neles, o autor vem nos mostrar que os escravos por ele encontrados tinham uma feição mais alegre, ou melhor, mais apresentáveis “eles não parecem ter uma aparência triste como a nossa imaginação está propensa a apresentá-los”. (HILL, 2006). Somos levados a vários momentos através de sua narrativa, desde a diferenciação de escravos da zona urbana, como os da zonarural, ou os escravos domésticos até os leilões de vendas, toda narrativa partindo da visão religiosa do autor que norteado por suas crenças, problematizava a existência da escravidão no seu todo.
O Cleópatra chega ao cabo da Boa Esperança no dia 9 de outubro, tendo zarpado do Rio no dia 14 de setembro, tempo gasto na travessia do atlântico, logo em seguida partiram para as Ilhas Maurício,...
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