Reportagem sociologia

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Artigo: Reinaldo Azevedo Edição 1980 . 1° de novembro de 2006
É preciso civilizar
os bárbaros do PT
"Faz 26 anos que os democratas se ocupam de atrair o PT para a civilização. Os tupinambás e os caetés, no entanto, resistem e tentam impor o canibalismo como algo doce e decoroso. Mas continuamos aqui, firmes no nosso papel de jesuítas, crentes na nossa missão civilizadora, esforçando-nos paracatequizá-los, fingindo que são tupis amistosos"
 
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|Tupinambás: para os canibais ideológicos de hoje, a imprensa |
|livre é um bispo Sardinha dando sopa |

Faz 26 anos que os democratas se ocupam de atrair o PT para a civilização. Os tupinambás e os caetés, no entanto, resistem e tentam impor ocanibalismo como algo doce e decoroso. Antes, tingiam a cara para a guerra e nos propunham o dilema: "Socialismo ou barbárie". Com o tempo, eles mesmos fizeram a opção sem nem nos dar a chance de escolher: barbárie! Institucional, quando menos. Mas continuamos aqui, firmes no nosso papel de jesuítas, crentes na nossa missão civilizadora, esforçando-nos para catequizá-los, fingindo que são tupisamistosos – tentando, enfim, emprestar-lhes alguma metafísica. Mas quê... Tenho cá as minhas dúvidas se os aborígines não estão vencendo. Em vez de o primitivismo ser domado, o que vejo é muita gente a flertar com Guaixará, Aimbirê e Saravaia, invertendo o fluxo histórico da civilização.
Os três acima eram os demônios da peça Auto de São Lourenço,do padre Anchieta (1534-1597), representada para osíndios e para os primeiros colonos. Lembro-me de um livro que ganhei quando criança. Havia uma ilustração do jesuíta fazendo um poema na areia com um galho ou cajado. A catequese é mais do que um confronto de culturas. É um choque entre tempos. Trata-se do encontro de homens que estão em estágios diversos de domínio da natureza. Um trazia a escrita, a abstração, a realidade como conceito; outrosviviam imersos no gozo, no terror e na ignorância. Antropólogos vão protestar. Para eles, pouco importa por que cai a maçã. Qualquer explicação "cultural" vale a pena. Continuo a achar libertadora a lei da gravidade...
Anchieta era um grande educador. Deixaria arrepiados os seguidores do "pedago-demagogo" Paulo Freire. O padre também usava o universo do "educando" (meu micro quase trava diante dapalavra...) para passar uma mensagem "libertadora". Empregando elementos da cultura dos indígenas, queria tirá-los de sua crença e lhes ensinar os valores cristãos. Por isso, ridicularizava o seu modo de vida, em vez de adulá-lo. Devemos muito a esse padre. Guaixará, por exemplo, recitava: "Boa medida é beber / cauim até vomitar. / Isto é jeito de gozar / a vida, e se recomenda / a quem queiraaproveitar. / A moçada beberrona / trago bem conceituada. / Valente é quem se embriaga / e todo o cauim entorna, / e à luta então se consagra".
Como se vê, Anchieta fazia o contrário do que fazem as ONGs financiadas pelo petismo e por entidades estrangeiras que se encantam com os aborígines alheios. O que o padre associava ao mal e exibia como hábito a ser vencido seria, hoje em dia, exaltado comocultura de resistência. Reparem como a educação formal, do "centro", foi invadida pela chamada "cultura da periferia". Isso é verdade tanto dentro do Brasil como na relação do país com o mundo. Há mais antiamericanos na USP do que em Bagdá ou em Cabul. O Brasil não aceita ser humilhado pelos EUA e pelo FMI. Só pela Bolívia e por Evo Morales. A reeleição de Lula corresponde à vitória do recalque dooprimido.
Falando a catadores de papelão e a sem-teto na quinta, no Palácio do Planalto, Lula Aimbirê disse que nunca antes gente como aquela entrou em palácios. Como se vê, ele precisa de gente como aquela para fazer discursos como aquele... Mais de 400 anos depois, Saravaia dá um pé no traseiro de Anchieta e diz: "Nós vencemos".
Esta nossa catequese política, um tanto infrutífera, também...
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