Renha do filme extremo sul

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Itajaí, v. 10, n.1, set./dez. 2011

Imprevisível ser gelado: a imprevisibilidade como elemento construtivo do real no filme Extremo Sul

Guilherme Cruz - Universidade de Passo Fundo
entretantos8@hotmail.com

Resumo

Este artigo busca discutir as teorizações sobre a criação de um documentário. Buscando introduzir um debate sobre a imprevisibilidade e suas ações perante ao roteiro,pesquisa e criação documental. Se valendo da referência básica do documentário – a realidade – e de uma análise do filme Extremo Sul, propõe-se uma identificação de um novo processo de construção utilizando um tratamento-criativo a partir do real. Palavras-chave: Documentário; Imprevisibilidade; Real; Produção

Abstract

This article discusses the theories about the creation of a documentary. Seekingto introduce a debate about the unpredictability and its actions to the script, research and documentary creation. Taking advantage of basic reference from the documentary - the reality - and an analysis of the film Far South, we propose an identification of a new making up construction process using a creative-treatment from the real. Key words: Documentary; Unpredictability; Real; Production115

Relatos de pesquisa

Itajaí, v. 10, n.1, set./dez. 2011

Escalada: primeira tentativa
O cinema documentário traça um paralelo à frente da própria história do Cinema, uma vez que as ideias e formatações de muitos gêneros partiram da sua derradeira busca por um realismo. E para isso foram introduzidos linguagens técnicas, formas de discursos, ângulos e representações que tentamlegitimar esse gênero cinematográfico. A singularidade do documentário divide e, por muitas vezes, entrelaça, comumente, por uma abertura proposital estilística, ou ainda por acontecimentos espontâneos de comportamento e momento – elementos como tempo, caráter, humor, locações, ou seja, tudo que estará circulando na órbita imaginativa do documentário em construção. Muito dos processos de criação e deprodução atual dialoga com a incerteza e os limites que podem ser alcançados ou ultrapassados pelo referencial – a realidade. A “sociedade do espetáculo”, transcrita por Guy Debord (1997), traduz uns valores normativos de estabilidade, trocando por resultados imediatos e de fácil compreensão. Há uma formalização dos costumes que pelo cotidiano nos transforma em sujeitos espelhados pela tela datelevisão ou pelo monitor do computador, esperando o melhor momento de espetacularizar uma ação. A referencialidade da criação imagética do documentário confunde-se com a noção diagnosticada no cotidiano criado pelas produções instantâneas, como reportagens, vídeos caseiros e registros informais. Consuelo Lins e Cláudia Mesquita ampliam a magnitude da representação da imagem com uma valia para uma buscade um realismo inalcançável,
O que não quer dizer que a imagem não valha nada: ela pode mentir, falsificar, simulando dizer a verdade, mas pode também ser associada a outras imagens e outros sons para fabricar experiências inéditas, complexificar nossa apreensão do mundo, abrir nossa percepção para outros modos de ver e saber. As imagens são frágeis, impuras, insuficientes para falar do real,mas é justamente com todas as precariedades, a partir de todas as lacunas, que é possível trabalhar com elas.” (LINS; MESQUITA, 2008, p. 82)

Ou seja, não se tem muitas escolhas se deseja transmitir, noticiar, ou divulgar algo, pois ainda é necessário traduzir melhor esses códigos vigentes. Tal tradução passará pelos estatutos criados pelas instituições tradicionais que entram em choque,principalmente, com o informalismo moderno e o seu comportamento polaroid – que busca no momento as inserções de valores, registrando repetidamente um mesmo instante. A produção documentária vale-se de nuances internos para representar e agregar uma verossimilhança. As “táticas” de um documentarista conservam tentativas

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Relatos de pesquisa

Itajaí, v. 10, n.1, set./dez. 2011 para fidelizar o...
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