Relatorio

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Da queixa escolar à demanda de análise: uma mudança de posição subjetiva diante do saber e da verdade1
Margaret Pires do Couto2
Palavras-Chave: Queixa escolar; Discurso analítico: Discurso universitário.

1. Introdução A proposta desta investigação surgiu da clínica das queixas escolares e do exercício da docência universitária em disciplinas que me permitiam a construção de uma interlocuçãoentre a Psicanálise e a Educação. Os dados clínicos nos indicam que questões para além do pedagógico podem estar em jogo nas dificuldades escolares e que, diante do saber escolarizado, outros saberes podem ser vacilados. Assim, com o objetivo de formalizar algo desta clínica, investigaremos acerca dos efeitos da oferta da escuta analítica para crianças com dificuldades escolares. Para isso,discutiremos, inicialmente, a partir da teoria dos quatro discursos proposta por Lacan, as conseqüências das principais explicações para as dificuldades de aprendizagem produzidas pelo discurso científico, mais especificamente a Psicologia Escolar. E, por fim, investigaremos o modo particular de o discurso analítico abordar promove diante do saber e da verdade. 2. As diferentes explicações para asdificuldades de aprendizagem: um mesmo discurso A queixa escolar chega-nos formulada de duas formas predominantes: uma primeira, localizada no campo das dificuldades de aprendizagem e nos impasses do sujeito diante dos conteúdos escolarizados; uma segunda, no campo do laço social que se manifesta, de modo geral, em uma certa desorganização comportamental no espaço escolar.
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a queixa escolar edelimitaremos a operação de mudança subjetiva que, como hipótese, a escuta analítica

Resumo da monografia apresentada ao Curso de Formação em Psicanálise do Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais (IPSM-MG), em novembro de 2000. 2 Professora do Unicentro Newton Paiva e do Instituto Superior Anísio Teixeira, Membro da Seção Minas Gerais da Escola Brasileira de Psicanálise, Mestreem Psicologia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Minas Gerais. 1

São estas queixas que apontam para um certo fracasso dos objetivos e ideais que sustentam a instituição escola. SOUZA (1997), em suas pesquisas, indica que no Brasil convive-se com altos índices de exclusão escolar. O ensino de primeiro grau é altamente seletivo e apenas 27% das crianças conseguem concluí-lo. Decada mil crianças que ingressam no ensino fundamental (1ª série do 1º grau), apenas quarenta e cinco concluem as oito séries no período normal e quatrocentas são reprovadas na 1ª série. As maiores taxas de repetência se situam nas três primeiras séries do primeiro grau. O filtro mais severo está na passagem do primeiro para o segundo ano da escola primária. Além disso, o aluno brasileiro permaneceem média oito anos e meio na escola, mas apenas três entre cem ingressantes concluem o 1º grau sem repetência, o que provoca ao longo do processo de escolarização uma grande defasagem entre série-idade. Diante deste quadro assustador, a educação convocou vários saberes a fim de solucionar o problema do fracasso escolar, entre eles a Psicologia Científica, em sua versão da Psicologia Escolar. APsicologia foi convocada a fim de dar uma explicação para o grande número de crianças que fracassavam na escola. Deste encontro surgiram quatro grandes explicações para os problemas de aprendizagem, que se constituíram em um discurso que circula no cotidiano das escolas, através dos professores, especialistas, pais de alunos e profissionais “psi”. GRIFFO (1996) elaborou um quadro demonstrativo dastentativas de explicação e interpretação que o discurso científico construiu para as dificuldades de aprendizagem. A autora encontrou, em sua revisão da literatura científica da área, quatro grandes explicações para os supostos problemas de aprendizagem: a concepção organicista, a concepção cognitivista ou instrumental, a concepção dos transtornos afetivos e da personalidade e a concepção do...
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