Relativizando de roberto da mata

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, Roberto Cardoso de Oliveira

I

Capitulo 1

o TRABALHO DO ANTROPÓLOGO:
OLHAR, OUVIR, ESCREVER
INTRODUÇÃO

o trabalho
do antropólogo

Pareceu-me que abordar um tema freqüentemente visitado e revisitado por membros de nossa comunidade profissional não seria de todo impertinente, posto que sempre valerá pelo menos como uma espécie de depoimento de alguém que, há váriasdécadas, vem com ele se preocupando como parte de seu métier de docente e de pesquisador; e, como tal, embora dirija-me especialmente aos meus pares, gostaria de alcançar também o estudante ou o estudioso interessado genericamente em ciências sociais, uma vez que a especificidade do trabalho antropológico - pelo menos como o vejo e como procurarei mostrar - em nada é incompativel com o trabalhoconduzido por colegas de outras disciplinas sociais, particularmente quando, no exercício de sua atividade, articulam a pesquisa empírica com a interpretação de seus resultados.! Nesse sentido, o subtitulo escolhido - é necessário esclarecer - nada tem a ver com o recente livro de Claude Lévi-Strauss,2 ainda que, nesse titulo, eu possa ter me inspirado, ao substituir apenas o lire pelo écn're, o "ler"pelo "escrever". Porém, aqui, ao contrário dos ensaios de antropologia estética de Lévi-Strauss, trato de questionar algumas daquelas que se poderiam chamar as principais "facul,dades do entendimento" sócio-cultural que, acredito, sejam inerentes ao modo de conhecer das ciências sociais. Naturalmente, é preciso dizer que, - falar, nesse contexto, de faculdades do entendimento - não estou mais

oParalelo15
2

A primeira versão deste texto foi para uma "Aula Inaugural", do ano acadêmico de 1994, relativa aos cursos do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, A presente versão, que agora se publica, devidamente revista e ampliada, f~ada para uma conferência na Fundação loaquim Nabuco, em Recife, em 24 de maio do mesmo ano, em seuInstituto de Tropicologia. E-s~ão foi publicada pela Revista de Antropologia, vol. 39, nO 1, 1996, pp. 13-37. Claude Lévi-Strauss, Regarder, Ecotlter, Lire.

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Roberto CardoJo de Oliveira

o trabalho do antropológo: p/har; ouvir, 'escrever

do que parafraseando, e com muita ~berdade, o significado filosófico da expressão "faculdades da alma", como Lelbr:tiz assim entendia a.E,ercepcão~pPi~,pmeQto. Pois sem percepção e pensamento, como então podemos conhecer? ?e meu lado, 0'..1 do ponta de vista de minha disciplina - a antropologta - , quero apenas enfatizar o caráter constitutivo do olhar do ouvir e do escrever, na elaboração do conhecimento próprio das disciplinas socia!s, isto é, ~aquelas que convergem para a elaboração do que Qiddens, mwto aprQpnadamente, chama "teoriasocial", para sintetizar, co~ a a:so.ciação desses dois termos, o amplo espectro cognitivo que envolve as dlsc1plinas que denominamos ciências sociais. 3 Ressaltar rapidamente, porquanto não pretendo mais do que aflorar alguns problemas que comume?te passam despercebidos, não apenas para o jovem pesquisador, mas, multas vezes, para o profissional maduro, quando não se debruça para as } 9..t1:~tõeseeiste_mo!Ógic~~ que condici~~~m_ a}ny~stig;aç~'2_em.r!~~c~ tatl.tQ.. r quanto a ccmstruçao do text(), result~:n.te da ees'l1!is.a. Desejo, assim, cha~ n:ar a atenção para três manelras - melhor diriaZr~-4e. apreens.ao dos fenômenos sociais, tematizando-as - o que significa dizer: ~l~és­ tlonando-as - como algo merecddor de nossa reflexão no exercício da pesquisa e da produção de conhecifnento.Tentarei mostrar como o olhar o ou~ir e. o escrever podem ser questio'nados em si mesmos, embora, em ~m pnmelro momento, possam nos parecer tão familiares e, por isso, tão triviais, a ponto de sentirmo-nos dispensados de problematizá-los; todavia, em um segundo momento - marcado por nossa inserção nas ciências sociais - , essas "faculdades" ou, melhor dizendo, esses atos cognitiva r delas decorrentes...
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