Relações entre a teoria dos atos de fala e quadrinhos humorísticos

Páginas: 17 (4225 palavras) Publicado: 30 de outubro de 2011
RELAÇÕES ENTRE A TEORIA DOS ATOS DE FALA E QUADRINHOS HUMORÍSTICOS Leosmar Aparecido da SILVA*

RESUMO

Neste artigo, pretendemos descrever e problematizar os conceitos básicos da Teoria dos Atos de Fala, desenvolvida e debatida por J. L. Austin em How to do things with words (1976). Para isso, utilizaremos algumas tiras que contemplam atos de fala. Falaremos, também, sobre a presença dosatos locucionários, ilocucionários e perlocucionários nos textos analisados. PALAVRAS-CHAVE: Atos de fala – Quadrinhos – Performatividade – Humor.

1. Considerações iniciais

A Teoria dos Atos de Fala nasceu na filosofia da linguagem e tem como base doze conferências de Austin, publicadas sob o título How to do things with words em 1976. A grande contribuição de Austin para a lingüística foiconsiderar a linguagem como forma de ação. Dessa forma, a Teoria dos Atos de Fala tem importância significativa para a pragmática, a qual estuda as condições que governam a utilização da linguagem, os fatores lingüísticos e extralingüísticos que contribuem para a produção de sentido numa dada situação comunicativa. Em seqüências específicas de enunciados, muitas vezes, os aspectos fônicos, sintáticose semânticos do sistema de uma língua não conseguem explicar, por si só, como são construídos, por exemplo, o humor, a ironia, o subentendido e outros fenômenos. Assim, não é novidade que os usuários da língua normalmente comunicam muito mais do que as palavras e frases significam. Daí, a pragmática, como um dos domínios da lingüística, contribui para a análise e compreensão daquilo que ultrapassaos limites da sintaxe e da semântica. Nesse sentido, num primeiro momento, descreveremos e problematizaremos a teoria austiniana e, depois, a aplicaremos à análise de quatro tiras - narrativas seqüenciais que se caracterizam pelo humor, que, por sua vez, é produzido normalmente por fatores lingüísticos e extralingüísticos.
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Mestre em Letras e Lingüística pela UFG. Professor de LínguaPortuguesa e Lingüística da Universidade Estadual de Goiás – UnU Cora Coralina – Goiás. leosmarsilva@hotmail.com

que as palavras e frases significam. Daí, a pragmática, como um dos domínios da lingüística, contribui para a análise e compreensão daquilo que ultrapassa os limites da sintaxe e da semântica. Nesse sentido, num primeiro momento, descreveremos e problematizaremos a teoria austiniana e,depois, a aplicaremos à análise de quatro tiras narrativas seqüenciais que se caracterizam pelo humor, que, por sua vez, é produzido normalmente por fatores lingüísticos e extralingüísticos.

2. Postulações teóricas de Austin

Na primeira conferência de How to do things with words, Austin (1976) faz uma distinção entre e constativos e performativos. Para ele, os constativos seriam uma espécie dedeclaração factual, descritiva, enquanto que os performativos são realizações de ações pelo simples fato de dizer, isso em circunstâncias apropriadas e por falantes autorizados. Alguém autorizado, institucionalmente, a dizer, por exemplo, “eu nomeio este navio Rainha Elizabeth”, em circunstância adequada, realiza uma ação por meio da palavra. Posteriormente, na mesma obra, Austin (1976) deixa delado a distinção entre constativo e perfomativo para dizer que todos os atos de fala constituem performativos, implícitos ou explícitos. Dessa forma, dizer “eu prometo que estarei lá” (AUSTIN, 1976, p. 69) constitui um performativo explícito, uma vez que o verbo prometer aparece na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Já o enunciado “eu estarei lá” não apresenta, de formaexplícita, o verbo preformativo, mas a noção de promessa está subentendida. Segundo Ilari (2002, p. 28), é possível realizar várias ações diferentes a partir do mesmo conteúdo utilizando os modos do verbo e outros recursos lingüísticos; assim, o conteúdo “cachorro + estar preso” poder ser objeto de: uma informação ( “o cachorro está preso”); uma pergunta (“o cachorro está preso?”); uma reação de...
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