Reflexões sobre o livro nunca lhe prometi um jardim de rosas

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  • Publicado : 23 de outubro de 2011
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UNIVERSIDADE PAULISTA

Instituto de Ciências Humanas
Psicologia
Psicopatologia Especial

Eloisa Nascimento de Moura – A70DJG -7

“NUNCA LHE PROMETI UM JARDIM DE ROSAS” – Reflexão de Leitura

O livro me prendeu desde o início, e fui vista o tempo todo com ele pela casa... Com ele fui levada a uma viagem inusitada ao fundo da alma de Deborah, personagem principal, uma jovemjudia, de 16 nos, esquizofrênica. Desde sua ida, junto com os pais, para internação em um Hospital Psiquiátrico até todo o tratamento, com todos os seus desdobramentos, altos e baixos.

Importante lembrar que nossa personagem sempre fora estigmatizada por sua condição de judia, numa América influenciada por ideais arianos, como pode ser visto no comportamento de suas colegas de escola, colônia deférias, etc.

Nossa personagem quando muito menina, sofrera uma cirurgia para extirpar-lhe um tumor no trato urinário, e o sofrimento desta época nunca lhe abandonou. A imagem deste tumor se internalizou e as dores que sentia na ausência deste eram tão lancinantes ou mais que as que sentira na presença do tumor.

Estas coisas foram fazendo-a mergulhar num mundo só seu... Quase nãodormia, apresentava distanciamento da realidade, culminando com a mãe a surpreendendo num ritual de suicídio.

As descrições dos detalhes dos conflitos pessoais, e do seu mundo interno, ao qual ela chama Yr, são de uma riqueza de detalhes que por vezes julgamos estar lendo uma autobiografia. Há personagens diferentes, com funções diferentes, e até um idioma próprio.( neologismo )

Logo no iníciodeparamo-nos com o típico conflito familiar para a decisão da internação, com a relutância do pai e a aparente firmeza da mãe, firmeza esta que também encobria toda sua dor interior. Isto me fez pensar em como deve ser sofrido, repentinamente, ver um jovem adoecer mentalmente em um núcleo familiar, todas as mudanças que este adoecer ocasiona nas pessoas, que vai passar pela dor,inquietude,revolta, piedade, até um ódio mal dissimulado...

O médico da internação medita sobre quantas vezes, na última hora os parentes não suportam a dor da decisão de finalmente deixar um ente querido atrás dos muros da Instituição e acabam levando o paciente para casa. O que significará levar um paciente para casa ou mesmo retirá-lo durante o tratamento, sem este estar à termo? No livro lemos umrelato de uma garota que a família tira precipitadamente , interrompe o tratamento e ela suicida.

Quando Deborah é internada está no auge do convívio com os clamores, rugidos do seu mundo interno, que de tão intenso e agitado esvaecera todas as cores e a beleza do mundo exterior, e ela se encontra dividida e prisioneira destes mundos.

A viagem que ela e sua Psicanalista iniciam na buscapela sanidade é profunda e bela. Tocou-me muito o dia em que a Analista lhe disse;- “...olha, eu não lhe disse que seria fácil:eu não lhe prometi um jardim de rosas”..., pois ao mesmo tempo em que a terapeuta se propunha a orientar e estar junto da paciente,mostrava também as limitações, dificuldades pelas quais juntas passariam.

O convívio dela no hospital começa numa ala onde ospacientes apresentam certa “normalidade”, mas depois de algum tempo, o estado de Deborah se altera, ela se torna agressiva, e auto destrutiva e é encaminhada para uma ala onde estão as pacientes mais graves.
Quando ela vai para esta ala descobre a novidade de estar num pavilhão onde ninguém precisa manter os bons modos.

Nesta ala Deborah conhece um recurso para contenção dos pacientes em surto,ao qual dão o nome de “casulo”, que é feito com lençóis úmidos e frios que são enrolados fortemente em torno do paciente, que assim ficava até recuperar o sentido de realidade.

Ela mesma torna-se uma usuária do sistema. Depois de algum tempo, a própria paciente já prevendo a proximidade das crises de embotamento ou agressividade que se avizinha solicita que a coloquem no “casulo”....
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