Recursos humanos

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INTRODUÇÃO
Este trabalho é resultado (ou início) de algumas reflexões sobre minha prática
como educadora e de minhas inquietações e inconformidade com algumas situações do
cotidiano escolar.
Sou professora atuante há dezessete anos na rede estadual de ensino e efetiva há
quatorze anos. Até o início de 2001, eu tinha apenas formação no magistério. Sempre tive
consciência da necessidadeda busca de uma formação mais ampla, que me fizesse
compreender, através da teoria, os acontecimentos da sala de aula, mas a vida foi tomando
outros rumos e fui adiando. É como uma tarefa que você sabe que precisa fazer, mas vai
deixando para o dia seguinte, até que chega a hora em que não dá mais para adiar e você
encara. E quando começa, se envolve e se entusiasma.
Confesso que “ogrande incentivo” que finalmente me fez tomar a decisão de
buscar essa formação, foi a interpretação errada de um certo artigo da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (LDB) - o artigo nº 62- que fez com que milhares de professores em todo
o país, que tinham apenas formação no magistério, procurassem forçosamente pelo Ensino
Superior. Comigo não foi diferente. Mas sou exigente comigo mesma e,já que tinha que
voltar a estudar, que fosse um estudo de qualidade. Não quis optar pelas faculdades de fim de
semana. Tive oportunidade de cursar o PEC (Programa de Educação Continuada), oferecido
pelo governo do Estado que, embora tenha seus méritos, uma vez que através desse curso
possibilitou-se que milhares de professores cumprissem as determinações do sistema
educacional, não mefaria sair do lugar em que estava dentro da carreira de profissional da
educação. E, nessa busca por um curso de qualidade, vim parar na UNICAMP.
Aí vem o envolvimento com a tarefa que se realiza, a busca por fazer bem feito
aquilo que se faz e o arrependimento pelo tempo perdido no adiamento da tarefa. Mas
acredito que nunca é tarde para a entrega ao aprender, ao descobrir, aoredescobrir...
É sobre a experiência dessa formação que quero falar neste trabalho. Das pontes
que estabeleci entre minha prática na sala de aula e as teorias estudadas e defendidas na
universidade. Não posso concordar com a visão retrógrada de que o professor que pesquisa
sobre a própria prática fala sob o ponto de vista do senso comum. Também não posso
compactuar com a idéia de que o educador quepesquisa sobre sua própria prática não
consegue o distanciamento necessário que possibilita uma forma menos viciada para olhar e
vivenciar fatos. Definitivamente, não é isso que ocorre. Uma reflexão implica sempre numa
análise do trabalho que realizamos. Se estivermos fazendo uma reflexão sobre nosso trabalho,
estamos questionando sua validade, o significado que ele tem para nós, para ossujeitos com
quem trabalhamos e para a comunidade da qual fazemos parte e que estamos construindo. A
resposta às questões que nos propomos só pode ser encontrada em dois espaços: no da nossa
prática e da experiência cotidiana da tarefa que procuramos realizar, e no da reflexão crítica
sobre os problemas que essa prática faz surgir como desafio para nós.
Talvez, no Brasil, estejamos apenasnos iniciando nesse campo de pesquisa, mas
em Portugal, por exemplo, esse tipo de trabalho é um tipo de pesquisa reconhecido. Segundo
João Pedro1
, educador matemático e pesquisador português, quem está em melhores
condições de resolver e equacionar os problemas são aqueles que estão envolvidos nele. Ao
invés de esperar soluções externas, através da pesquisa, os professores investigamdiretamente
os problemas que se lhes colocam. Além disso, a pesquisa sobre a prática torna os
profissionais mais sensíveis à importância e ao valor da teoria educacional e da investigação
acadêmica.
Fazendo parte do PEFOPEX (Programa Especial de Formação de Professores em
Exercício), não havia sentido em fazer uma pesquisa de campo olhando a prática de outro
profissional da educação. O...
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