RECREAÇÃO E LAZER

LAZER – MEIO AMBIENTE: EM BUSCA DAS ATITUDES VIVENCIADAS NOS ESPORTES DE AVENTURA1
Ms. Mirleide Chaar Bahia2
Dra. Tânia Mara Vieira Sampaio 3

A PROBLEMÁTICA AMBIENTAL

O planeta Terra, historicamente, vive em constantes transformações, porém alguns fatores desencadeados pelo comportamento do ser humano, na escolha de um modelo de desenvolvimento desenfreado e a busca de exploração dosrecursos naturais com vistas ao lucro exacerbado tem causado transformações tanto em aspectos individuais (valores, atitudes), quanto em aspectos sociais (relações interpessoais, qualidade de vida). Segundo Felix Guattari (1990, p.7), “paralelamente a tais perturbações, os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração.” A repercussão dessastransformações atinge as relações subjetivas estabelecidas entre familiares, entre amigos, entre vizinhos e entre ser humano-natureza.
A problemática ambiental, mais que uma crise ambiental, é um questionamento do pensamento e do entendimento sobre as atitudes vividas na atualidade e as relações estabelecidas na sociedade capitalista no que se refere à busca de um desenvolvimento pautado na lógica dadominação da natureza e dos recursos naturais, “é um questionamento da ontologia e da epistemologia com as quais a civilização ocidental compreendeu o ser, os entes e as coisas; da ciência e da razão tecnológica com as quais a natureza foi dominada e o mundo moderno economizado.” (LEFF, 2003, p. 19)
Os males causados ao planeta Terra não devem ser interpretados como uma justificativa para afastaro ser humano das áreas naturais e criar um paradigma de uma natureza intocada e intocável. Diante desse impasse Antônio Carlos Diegues (2000) expõe sua preocupação com a herança trazida pelas antigas políticas conservacionistas – e conseqüentemente, defendida por algumas correntes de ambientalistas –, refletida a partir de meados do século XIX, na criação de áreas naturais protegidas nos EstadosUnidos, com a lógica de separação entre as “ilhas” de conservação ambiental e as comunidades locais. Para o autor, a visão equivocada de separação ser humano-natureza, desrespeita valores vivenciados por comunidades locais (populações indígenas, caiçaras, comunidades tradicionais) que há séculos vivem em áreas de preservação e possuem um conhecimento de grande valor no que diz respeito a modos deconvivência e preservação dos recursos naturais.
Essa preocupação é percebida no discurso de Edgar Morin (2001, p. 26), em busca de uma lógica que compreenda a complexidade das relações ser humano-natureza e a importância do respeito às culturas locais, às populações habitantes de áreas naturais e os conhecimentos que estas trazem no bojo de sua cultura. Considera de extrema importância levar emconsideração “[...] o valor das culturas, a sabedoria, o saber, os modos de fazer, de conhecimentos muito sutis sobre o mundo vegetal e animal, sobre modos de cura.”
No mesmo caminho de indicação de uma nova maneira de viver e compreender as relações é possível concordar com Felix Guattari (1990, p.8), quando o mesmo afirma a importância da compreensão e da defesa de uma ecologia pautada nãoapenas numa consciência parcial dos perigos mais evidentes que ameaçam o meio ambiente natural e em perspectivas tecnocráticas, mas sim numa perspectiva que possa levar em consideração outros aspectos: “ao passo que só uma articulação ético-política – a que chamo ecosofia – entre os três registros ecológicos (o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana) é que poderiaesclarecer convenientemente tais questões.”
Para Rubén Pesci (2003, p. 141), devem ser levados em consideração aspectos ligados ao compromisso com a solidariedade e a compreensão de que todos os seres vivos acham-se interligados e fazem parte do ciclo da vida. “Trata-se, definitivamente, de um compromisso integral com a vida não somente intelectual, mas também sensorial; vida que é a natureza em todas...
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